O longa metragem, adaptado da tragédia romântica de Shakespeare, Romeo+Juliet, traz em sua principal essência, a narrativa adaptada para uma visão atual. O cenário da ação é cidade fictícia de Verona Beach. O desenrolar da trama inicia com uma apresentadora de telejornalismo anunciando que do amor oriundo de dois jovens de duas famílias rivais, Montéquios e Capuletos, poderá gerar trágicas conseqüências. Estas duas famílias possuem rixas históricas, que não cessam, mas mesmo esta situação não impede que Romeo (Leonardo Dicaprio) um Montéquio e, Juliet (Claire Danes) uma Capuleto, apaixonem-se um pelo outro.A narrativa, totalmente futurista, em comparação com o enredo original, traz ao invés de espadas, pistolas, mostrando, dessa forma elemento fundamental que demarca a narrativa como futurista em relação com as anteriores. Juliet pertence a uma família de grandes empreendedores da industria, o que também demarca como elemento de significativa importância, já que troca-se o sistema feudal para o sistema capitalista industrial. No desenrolar da história, não aborda-se quais eram as atividades econômicas exercidas pela família de Romeo, mas subentende-se que as duas famílias são rivais por disputa de poder econômico. Já que a cidade é dominada pelo poder empresarial dessas duas famílias.
Desse modo, com as características citadas acima, o enredo trabalhado remete-nos a uma ideia neobarroca, ou seja, muda-se o ambiente da trama de um cenário mais arcaico, com sistemas de produção e dominação diferentes, para um ambiente atual, incorporando a narrativa aos costumes, à cultura e ao sistema de produção e de dominação atuais.
Além destas questões abordadas, a trama apresenta questões preponderantes como, até que proporções uma disputa de poder ou de qualquer outro gênero podem interferir no livre arbítrio das pessoas; Se existe, realmente, um amor tão profundo entre duas pessoas, que pode levar a morte de um pelo outro, ainda mais em meio a um ambiente tão conturbado. Esta questão pode-se ser compreendida como extremamente preponderante, já que a sociedade encontra-se em uma corrida obsessiva por poder, e pelo próprio sobreviver e, desse modo, já não desempenha mais valores humanísticos como este abordado na ação.
Outra ideia que também podemos desenvolver é que por mais que os anos passem, eras revolucionem nosso sistema produtivo, a história sempre vem repetindo-se. Estamos em meio a uma crise econômica mundial, as bolsas de valores escaparam por pouco de grandes quebras, mesmo assim inúmeras empresas não escaparam da desvalorização de suas ações ou mesmo foram a falências. Situação semelhante ocorreu em 1929 com o histórico crack da bolsa de valores de New York. Onde os Eua entraram em profunda depressão, isso sem mencionar nos demais países. O mesmo ocorre hoje, a crise que se originou nos EUA, trouxe efeitos para todas as nações.
Por mais que não esteja declarado vivemos uma guerra mundial. Que não afeta todos os países com intervenções bélicas, mas sim com crises diplomáticas. Assim a disputa de poder entre Montéquios e Capuletos foi apenas um modo literário de Shakespeare trazer para a sociedade aquilo que ela simplesmente procura ignorar. O planeta desenrola suas ações sob disputas de poder, um procura ser melhor do que o outro. Um não aceita as decisões dos outros. E assim o livre arbítrio de inocentes é interferido diariamente por questões como esta. Exemplificando: Um médico que se gradue em Cuba não pode vir exercer sua profissão no Brasil, pois seu diploma não é aceito, contudo um médico graduado nos EUA pode sem nenhuma restrição desempenhar esta atividade no Brasil. A alegação é que a medicina cubana não possui o mesmo método curativo do que a brasileira. Já a norte-americana coincide com os mesmos princípios aqui utilizados. Mas a questão é outra: é simples e puramente política. Não basta a todos os embargos e as falácias sobre o sistema econômico cubano, o preconceito sobre seu sistema espalhou-se pelo mundo todo. Simplesmente por que ele pode fazer com que grandes corporações percam sua hegemonia mercantil.
Aqui não estou defendendo o sistema econômico e político cubano, pois em alguns pontos também discordo, mas questiono: Por que em tantos anos de socialismo implantado na ilha, a população não rebelou-se? Pois, por mais que um governo autoritário reprima uma sociedade, em determinada situação a população irá se revoltar. Será que isso ainda não aconteceu, devido ao fato de que a sociedade possua condições sociais, econômicas e culturais, além de organizar-se de modo que este sistema ainda exista por que lhes ofereça estas condições básicas sociais? O sistema de saúde cubano é conhecido como um dos melhores do mundo, pois é preventivo. E sua população possui acesso a esse sistema. A questão central seria trazer estas condições educacionais, também muito elogiadas, de saúde e culturais para a sociedade, aliada a desenvolvimento tecnológico, fator pouco presente da nação cubana, já que para o desenvolvimento destas tecnologias são necessários altos investimentos, o que traria menos investimentos em saúde, educação, fatores essenciais para uma sociedade.
Depois dessa exemplificação, podemos fazer a seguinte analise: As rixas históricas entre EUA e Cuba são basicamente semelhantes às rixas das duas famílias Capuletos e Montéquios. São meras disputas de poder, onde cada um procura induzir a sua ideologia, o seu modo de pensar, de agir e de se comportar, e a sociedade é quem mais sofre com esta disputa.
Romeo e Juliet pode parecer um clássico meloso, mas nada mais é do que o retrato da disputa ideológica do poder vivenciada no planeta, que se enquadra tanto na época que Shakespeare produziu sua narrativa e, até para o enquadramento da sociedade hoje. A lição que podemos tirar desta trama e da visão da sociedade atual é simples: até que se tenham disputas de poder e o emprego de uma ideologia a força, a sociedade vai continuar a pagar o alto preço. As tragédias continuarão ocorrendo e, milhares de Romeos e Julietas irão morrer por querer enfrentar estas rixas.
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