
A Universidade de Passo Fundo adiou para o dia 17 de agosto o início do segundo semestre de 2009. Essa medida foi adotada, pela segunda vez, em virtude da expansão dos casos da gripe A (H1N1) no Rio Grande do Sul. Atitude errônea, em minha opinião, pois estão apenas adiando um problema que terá que ser enfrentado. Mas neste dia de regresso às atividades acadêmicas, completam dois meses que nosso “amado” Gilmar Mendes, comparou os jornalistas com cozinheiros e assim definiu juntamente com mais sete ignorantes, os quais também pensam que comunicar a sociedade é como cozinhar!
Essa revista (imagem acima) elaborei no dia 17 de junho, onde esta tropa de ignorantes, os quais conseguem fazer tais comparações, definiram não ser mais obrigatório a exigência do diploma de jornalismo. Na noite dessa data, fui para a faculdade, como faço todas as noites, e lá recebi a triste noticia, vendo uma colega quase aos prantos e o desanimo evidente tanto para meus colegas e para meus professores. A disciplina daquela noite era Planejamento gráfico em Jornalismo, uma das ultimas aulas do semestre, onde a atividade era elaborar duas páginas espelhadas de uma revista. Eu que já trabalho com planejamento gráfico, não vi dificuldades em fazer o trabalho, mas o que me preocupava era qual tema deveria abordar? Vendo uma colega ao lado comentando que iria desistir do curso e iria fazer Direito, assim como demais colegas que cogitavam fazer qualquer outro curso que fosse, vi que o desapontamento diante tal medida havia sido implantado dentre a turma. Desse modo, foi vendo a indignação dos meus colegas que elaborei a revista em defesa do diploma de jornalismo e em defesa dos sonhos de todos os meus colegas daquela disciplina e de todos os outros que fazem Comunicação Social- habilitação em Jornalismo.
Muitos de nós batalhamos o dia todo para conseguir pagar a instituição acadêmica, que cá entre nós: na UPF é uma legitima facada!, vamos para a faculdade todos os dias e até aos sábados de manhã. Perdemos noites de sono e descanso para aperfeiçoarmos nossos conhecimentos, lendo e estudando. Alguns fazem mais de 100km por dia, para um dia ter uma profissão, um canudo, que representa mais do que uma conquista: a tua profissão!
Agora nosso diploma não tem mais significado no mercado de trabalho. Quem quiser pode brincar de cozinheiro... digo, jornalista. Será? Temos excelentes profissionais não graduados em jornalismo que desempenham esta atividade melhor do que muitos jornalistas que compraram seu diploma. Mas não foi por isso, que votaram pela não obrigatoriedade do diploma. Isso nada mais é do que um jogo político e econômico para beneficiar as grandes empresas de comunicação, que não vejo necessidade de citar nomes, pois todos devem saber quais são.
Estudo com diferentes turmas no curso de jornalismo, mas observo que tenho colegas que parecem ter o jornalismo impregnando nas veias, com consciência e um ritmo de conhecimento no mesmo que a profissão exige. Assim como observo a grande maioria, que pensa que fazer jornalismo e ser um paparazzi, é falar sobre assuntos banais como a coluna social. Também vejo aqueles tão imbecis que acham que assuntos de nível social é chato, que preferem escrever futilidades, e que pensam que todas as pessoas do planeta falam a mesma língua, pensam do mesmo modo, possuem os mesmos recursos econômicos, assim como tantas outras coisas absurdas que não vou citar, pois daria varias paginas. Pessoas como estas estão quase se formando! Estão aí, indo para o mercado de trabalho, com um diploma na mão!
Aí outras pessoas que trabalham em instituições sociais, que lutam por uma sociedade mais justa, não possuem diploma, mas exercem funções relativas a comunicação com uma visão de mundo totalmente realista, que um acadêmico da área da comunicação deveriam ter, e exercem sua função em comunicação sem ter freqüentado um centro universitário.
Aí eu pergunto: DIPLOMA PRA QUE?
Não sou a favor da decisão adotada pelo Gilmar Mendes e sua corja. Mas sou a favor que as faculdades de comunicação comecem a avaliar como estão formando seus profissionais e que tipo de profissionais estão formando. E que invistam em aperfeiçoamento dos seus acadêmicos e exijam destes como se deve exigir. Fazendo com que saiam dos centros universitários com uma visão real do que é o mundo.
Podem dizer que isso é impossível! Eu acredito que não. Nossos cursos de comunicação encontram-se um grande numero de professores que não exigem dos acadêmicos como deveriam exigir, não por serem professores com pouco conhecimento, mas, acredito eu, que seja por desanimo ao verem que tipo de profissionais estão tentando entrar para a área da comunicação.
Logicamente, cada acadêmico, individualmente, terá que fazer sua avaliação de consciência, postura, enfim. Sempre irão existir aqueles que estão fazendo o curso porque não sabem o que fazer na vida ou por que querem aparecer na TV. Acham que jornalismo é meramente glamour!! Felizmente esses “tipinhos” vão ser excluídos do mercado de trabalho mesmo tendo diploma. E sabem o que eles vão alegar para justificar que não conseguem se inserir no mercado de trabalho? Eles vão atribuir a culpa afirmando que uma pessoa sem graduação tirou o lugar deles.
Então, tentando finalizar este texto, a exigência do diploma de certo modo não vai excluir os bons do mercado de trabalho, pois para quem tem uma visão real e consciente de mundo, dedica-se, aperfeiçoa-se e é bom na função que desempenha sempre terá seu lugar. Já os mauricinhos e patricinhas que pensam que tudo são flores, glamour e que tudo funciona do modo que eles querem, vão quebrar a cara sempre.





de sonhos e fantasias que realmente nunca irão acontecer.