quarta-feira, 16 de novembro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Passo Fundo: Capital Nacional da Literatura, dos buracos e do estardalhaço






Quase trezentas pessoas confirmaram presença via facebook no protesto na Câmara de Vereadores diante a questão dos buracos. Será que metade desse público realmente vai comparecer?
A população adora fazer estardalhaço via redes sociais, mas na hora de realmente protestar optam pelo conforto de seus lares.
Ontem o facebook estava inundado de manifestações repudiando a "tentativa" de discurso do vereador Roque, que criticava a atitude de um cidadão manifestar sua indignação perante os buracos das ruas passofundenses. Contudo, hoje, como sempre tudo estava mais calmo, amanha provavelmente ainda mais, e quem sabe semana que vem esse assunto nem será mais lembrado.
As redes sociais são importantes, mas não é o palco de mudanças sociais. A mudança vai acontecer quando a sociedade mudar suas atitudes, posicionamentos e ações.
A massa que vota em representantes como esse não possui acesso a jornais, redes sociais e tão pouco possuem perspectivas de ter acessibilidade a esses meios. Tão pouco são contemplados com praticas literárias. Mal são alfabetizados.
Mas o mais indignante é que muita gente que foge a essa realidade e ao contrario possui acesso a todos os formatos de informação se rebelam, mas momentaneamente, se duvidar ano que vem também estarão votando no vereador ou em qualquer outro da mesma linha.
Podem achar a política suja, mas a realidade é que na hora decisiva votam na permanência da continuidade da sujeira.
A política vai mudar quando a sociedade aprender a pensar coletivamente e não individualmente.
A mesma população que está fazendo este estardalhaço rechaça a parcela da sociedade que vai para as ruas reivindicar quando é necessário. Cria estereótipos sobre organizações sociais que apenas estão exigindo aquilo que deveria ser direito para todos.
Um mundo melhor é possível? Passo Fundo sem buracos é possível?
Só depende da sociedade e da mudança do pensamento individualista predominante.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011




















segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DCE realiza o 1º Encontro dos Estudantes do Prouni





Promover a integração entre os estudantes do Programa Universidade para Todos (Prouni), além de esclarecer as principais dúvidas dos beneficiados. Esse é o objetivo do 1º Encontro de Estudantes do Prouni. Realizado pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade de Passo Fundo (UPF), o evento acontece na próxima quinta-feira, dia 11 de agosto, nos turnos da manhã e noite, no Centro de Eventos da instituição.
Num primeiro momento, a professora do curso de Psicologia da UPF, Maria Aparecida Tagliari Estacia, vai apresentar a tese que desenvolveu em seu doutorado, intitulada “Alunos ProUni UPF: trajetórias, perspectivas/sentimentos e aproveitamento acadêmico”. A pesquisa destaca o perfil do primeiro grupo de alunos beneficiados pelo programa, que se formaram na UPF.
Durante o intervalo do evento, a banda O Quarteto Coringa, formada por estudantes do curso de Música, irá se apresentar para os participantes. Na segunda parte de atividades do turno da manhã, a Divisão de Extensão da UPF, irá esclarecer dúvidas freqüentes dos alunos sobre a participação de programas de pesquisa que a instituição oferece.
Os debates continuam no turno da noite, iniciando com uma conversa descontraída com integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE). Na sequência, o setor de Bolsas da UPF vai expor a atual legislação que rege o Prouni, além de esclarecer dúvidas freqüentes dos estudantes e também daqueles que gostariam de ser beneficiados pelo programa.
O encontro faz parte das atividades preparatórias da Conferência Municipal da Juventude, que acontece nos dias 29 e 30 de agosto, promovido pela Coordenadoria Municipal da Juventude de Passo Fundo, entre outras entidades.
Para participar do evento, os interessados podem se inscrever gratuitamente no site www.upf.br, no menu Eventos. As atividades oferecem certificado de horas extracurriculares e estão abertas a toda comunidade acadêmica.

Confira a programação:
Manhã
8h - Abertura e credenciamento
8h40min - “Alunos Prouni UPF: trajetórias, perspectivas/sentimentos e aproveitamento acadêmico” – Profª Dra. Maria Aparecida Tagliari Estacia;
10h – Intervalo;
10h20min - Divisões de pesquisa e extensão - Como participar de pesquisa e extensão;
11h30min – Encerramento.

Noite
19h30min - Participação da União Nacional dos Estudantes (UNE);
20h30min - Setor de bolsas UPF - Legislação e dúvidas freqüentes;
21h30min - Debate final e encerramento.

Noções de design editorial

sexta-feira, 29 de julho de 2011

1º Conferência Municipal de Juventude



Em reunião com o prefeito Airton Dipp nesta quinta-feira, 28, o coordenador da Coordenadoria da Juventude de Passo Fundo, Álvaro Lotermann, apresentou a Comissão Organizadora da 1ª Conferência Municipal de Juventude, que acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto.

Para as atividades que serão realizadas durante a Semana da Juventude,
de 29  de agosto a 04 de setembro, os jovens representantes da comunidade passo-fundense promoverão uma série de palestras e debates acerca do tema:Juventude, Desenvolvimento e Efetivação de Direitos. Dipp entende que é preciso abrir espaço para a juventude, visando uma geração forte e consciente.

Os critérios de nomeação da comissão organizadora estão no Regimento da Conferência Nacional de Juventude e preveem a representação mínima de 4 organizações da sociedade civil, 2 orgãos do Poder Executivo e 2 do Poder Legislativo.

A comissão ficou composta por representantes do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UPF, Junior Chamber International (JCI) de Passo Fundo, Pastoral da Juventude, União Passo Fundense de Estudantes (UPE) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Jovem). O Poder Legislativo ficou representado pelos vereadores Rui Lorenzato e Juliano Roso, e o poder executivo pelo próprio Coordenador da Juventude Álvaro Lottermann e pelo Secretário Giovani Corralo.


Conferências Livres
O Diretório Central dos Estudantes realiza no dia 11 de agosto o 1º Encontro dos Estudantes do Prouni, uma das conferências livres, que são promovidas por cada entidade que compõem a Comissão Organizadora e define linhas que serão levadas para a Conferência Municipal da Juventude.
Serviço
Nos dias 29 e 30 de agosto a Faculdade Anhanguera sediará a Conferência no turno da manhã, onde jovens de 15 à 29 anos podem participar.

domingo, 24 de julho de 2011

DE QUE É FEITO UM CONGRESSO DA UNE?



Da Revista O Viés 
Fotos: Tiago Mioto

“Nós precisamos tomar uma decisão: nós vamos ocupar a escola?”. Sim!, foi a resposta geral. E assim foi feito. Se aquela noite se mostrava movimentada para quem iria dançar ou beber na Praça Universitária, parecia que dali para frente ela também seria movimentada para quem ainda procurava onde dormir durante o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes.


Dias antes, centenas de estudantes já embarcavam em ônibus por todo o Brasil para participar do maior Congresso estudantil do país, entre os dias 14 e 17 de julho. Para muitos, Goiânia, sede do Congresso, era uma incógnita feita de duplas sertanejas e coronéis da terra. Para outros a incógnita seria o Congresso: o que poderia se esperar de um Congresso organizado pela UNE?

A UNE que ia às ruas lutar pelos estudantes e por toda a sociedade parece morta. Hoje a entidade parece entorpecida pelo governismo de Lula e Dilma, não sabendo aceitar muito bem as suas próprias contradições e se utilizando dos métodos mais sujos para que essas contradições permaneçam ignoradas pela maioria dos estudantes brasileiros.

Os mais saudosistas lembram de uma UNE diferente. Com participação ativa nas lutas contra a ditadura militar, pelas Diretas Já! e no Fora Collor!. Mas, a subida ao poder da UJS, União da Juventude Socialista, na entidade fez muita coisa mudar.

A União da Juventude Socialista pode ser vista como um dos braços de juventude do PC do B e com um breve resgate histórico é possível perceber o que trouxe a UNE a ser o que é atualmente.

No início da década de 90 a UNE passava a ser dirigida pela UJS. Por muitos anos a entidade continuou contrária ao governo federal, naquela época de Collor, Itamar Franco e FHC. Com Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto em 2003 subiam também vários outros partidos e aliados, incluindo aí o PC do B. Desde então a UJS, e por consequência a UNE, está atrelada ao governo.

O Congresso da UNE, realizado de dois em dois anos, tem como finalidade definir as políticas que a entidade defenderá pelos próximos dois anos. Além disso, é eleita a nova direção da UNE – de forma proporcional, ou seja, uma direção formada por boa parte das correntes de pensamento, da situação e da oposição.

Infelizmente o Congresso não preza pela discussão aberta e plural entre correntes de pensamento divergentes. O espaço para discussão disponível é ínfimo e não seria exagero pensar que boa parte dos estudantes que foram ao Congresso voltou para casa sem nenhum ensinamento político de valor. O que teve espaço foi a reprodução de valores tão negativos para a política e para a sociedade brasileira: a omissão daqueles que detém o poder; as palavras de ordem vazias, sem fundamento político; a demagogia dos poderosos, que insistem em considerar que tudo vai bem e que aquilo que vai mal é apenas parte do processo; a hipocrisia daqueles que se dizem democráticos mas que ceifam todas as oportunidades da democracia e da voz do contraditório aparecerem.

A manutenção da UJS na presidência da UNE é parte de um processo um tanto obscuro. Para que o estudante vá como delegado e tenha poder de voto no Congresso ele precisa ter sido eleito na Universidade onde estuda. Esta forma de eleição teria um caráter de democratização da entidade, por promover eleições no plano mais próximo dos estudantes. No entanto, essa fórmula facilita também as fraudes nos processos eleitorais.

São várias as denúncias envolvendo as eleições de delegados para o Congresso. A denúncia de maior destaque dos últimos tempos aconteceu na PUC do Rio Grande do Sul. Um esquema, montado junto com o DCE da instituição, favoreceria a UJS, que tomaria para si, sem um processo transparente de eleição, todas as vagas de delegados da PUC. Em troca, a UJS, e por consequência a UNE, se manteria calada quanto ao processo de eleição para o DCE da PUC.

Esse último criticado já há muito tempo por estudantes contrários à política da atual gestão. As denúncias ganharam força depois que um grupo de estudantes decidiu manter-se firme contra as medidas do DCE e da UJS, montando e permanecendo em acampamento dentro da Universidade. Assim como na PUC, a UJS mantém sua força em dezenas de universidades particulares, principalmente. O processo da PUC mostra como funciona a lógica do grupo majoritário dentro da UNE: concentrar forças na manutenção do poder dentro da entidade.

 Em Goiânia as coisas não saíram muito do que indicava essa política rasteira praticada por grupos políticos ligados ao governo. Era nítida a vontade dos organizadores do Congresso em despolitizar ao máximo aquele espaço. Por um lado, diminuindo ao máximo os grupos de debate durante o Congresso. Por outro lado, dificultando sistematicamente a vida da chamada “Oposição de Esquerda”.

“Nós precisamos tomar uma decisão: nós vamos ocupar a escola?”. Sim!, foi a resposta geral.

Todo o primeiro dia de Congresso já havia ocorrido e centenas de estudantes ainda permaneciam sem alojamento para a noite que chegava. Foi quando a notícia de que o tão esperado alojamento tinha sido conseguido. A alegria durou pouco tempo, só até outra notícia de que aquele espaço já estava reservado chegou.

Era necessário tomar alguma providência. E a ocupação parecia a única forma de intervenção capaz de convencer a Direção da UNE de que o alojamento era questão urgente. A ocupação não ocorreu, mas a aglomeração em frente da Escola deu resultado. Depois de algumas horas, finalmente um alojamento seria fornecido. O caso é um bom exemplo do descaso dos organizadores com os grupos contrários à Direção da UNE.

O processo “democrático” defendido pela Direção mostrava-se um grande engodo. Nos dias seguintes nada parecia alterar essa visão. Até que, na tarde do penúltimo dia, ocorreu uma grande surpresa: a bancada da chamada “Frente de Oposição de Esquerda”, FOE, parecia inchada.

Notícias davam conta de que, no Congresso anterior, em 2009, a FOE era um grupo correspondente a 10% do Congresso. Já neste 52º Congresso ela aparecia tendo quase o dobro disso. Esse movimento mostrou nova vibração no Movimento Estudantil brasileiro. Um movimento verdadeiramente independente do governo, capaz de reconhecer suas qualidades sem deixar de fazer todas as críticas necessárias.

Este Movimento pareceu ser a única fonte de esperança dentro de um Congresso apático. Um movimento também com suas contradições, mas com qualidade suficiente para fazer o enfrentamento ao governo. Os dois últimos dias eram reservados à votação, e a força da UJS e suas adjacências governistas (grupos do PMDB, PT, PDT), com quase três quartos da Plenária, era imbatível. Tudo saiu conforme o planejado para o grupo majoritário que controla a UNE há duas décadas, mas o crescimento de uma bancada forte de Oposição de Esquerda na UNE trouxe esperança. De que é feito um Congresso da UNE? De apatia, mas também de boas perspectivas para um movimento estudantil que honre a história da União Nacional dos Estudantes.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Para militares, estupro em quartel de Santa Maria foi ‘brincadeira’ entre colegas

Nada mais repugnante do que o estupro. Um crime que passa sem punição e milhares de vítimas ficam a merce das fragilidades psicológicas e físicas desse trauma. Se a mídia compactua com esse crime sem denuncia-lo o SUL 21 faz isso e o Caraminholas da Cássia compartilha com você essa matéria.

Por Igor Natusch
Sul 21
O relatório apresentado nesta quarta-feira (13) pelo deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), sobre o estupro de um jovem soldado em um quartel do Exército em Santa Maria, indica que o inquérito militar trata o caso como uma “luta corporal de brincadeira entre os rapazes”. O inquérito foi prorrogado por mais 30 dias, segue em sigilo e os advogados de defesa do jovem afirmam que não recebem informações oficiais.
Leia mais:
- Em sigilo, inquérito sobre estupro em quartel de Santa Maria é prorrogado
- Editorial: Moral e sigilo militar
Em nome da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, o deputado petista visitou a cidade da região central do Rio Grande do Sul no último dia 7, encontrando-se tanto com o Comando do Exército quanto com o próprio soldado vítima da agressão sexual. Fernandes apresentou um relatório sobre a visita em reunião nesta quarta na comissão.
Segundo o relatório, a tendência do inquérito é de não concluir pela violência sexual, tratando o caso como sexo consentido. O exame de corpo de delito feito no hospital militar, segundo os oficiais, teria constatado apenas uma leve lesão no ânus do soldado, insuficiente para comprovar a violência. Os militares também teriam estranhado a suposta demora da vítima em reclamar do fato – segundo eles, só houve comunicação na tarde do dia seguinte.
O soldado de 19 anos teria sido abusado sexualmente por outros quatro colegas na noite do dia 17 de maio, enquanto cumpria pena administrativa no Parque Regional de Manutenção de Santa Maria. O jovem ficou internado durante os oito dias seguintes no Hospital de Guarnição do município – em segredo e incomunicável, segundo familiares e advogados da vítima. De acordo com o general Sérgio Westphalen Etchegoyen, um dos responsáveis pelo inquérito militar, o soldado foi mantido isolado e sob guarda para preservar sua própria segurança, já que havia o temor de que tentasse suicídio.
O general Etchegoyen admitiu, no entanto, que o principal motivo para a prorrogação da investigação é receber o resultado do exame de lesões corporais feito pelo Instituto Médico Legal (IML) a pedido da família e dos advogados do jovem. Caso o exame comprove a violência sexual, a conclusão deve ser modificada – os quatro acusados seriam, então, punidos de acordo com a previsão das Forças Armadas.
Soldado violentado sofreu ameaças: “vai se ferrar”
O relato do jovem soldado, identificado no relatório com as iniciais D.P.K, difere da conclusão do inquérito militar. O jovem garante ter sido atacado pelos colegas de caserna logo após fazer uma faxina no banheiro do alojamento, parte de sua punição de 10 dias por não comparecer a uma vigília. Jogado em uma cama, foi violentado por três dos quatro soldados que o renderam, sem que nenhum colega de alojamento viesse em seu auxílio. A vítima garantiu ao parlamentar não ter desavença anterior com os agressores, sendo apenas vítima de insinuações e xingamentos relacionados à sua sexualidade.
Além de não ter recebido atendimento psicológico durante o período em que permaneceu internado, o soldado garantiu ter sofrido uma série de intimidações. Um dos soldados que fez guarda em seu quarto teria dito que o jovem ia “se ferrar” por causa da repercussão do ocorrido.
Pressionado e envergonhado, o soldado não revelou imediatamente aos pais os reais motivos de sua internação. Os pais da vítima só descobriram a agressão por meio de um amigo da família, que teria ouvido comentários sobre uma vítima de estupro internado no hospital militar de Santa Maria. Só no quinto dia de internação o pai do soldado conseguiu confirmar, em conversa com o filho, o que tinha acontecido. A mãe denunciou ao deputado Jeferson Fernandes ter sido ameaçada de prisão dentro do hospital, sob a alegação de “insubordinação contra autoridades militares dentro do quartel”.
Há risco de suicídio, diz relatório
“Há inúmeras incertezas ao analisarmos as afirmações da vítima e seus pais em contraste com o que dizem os Generais do Exército Brasileiro”, diz o deputado na conclusão do relatório. Uma das principais críticas do relatório refere-se ao modo como foram colhidas as provas materiais pela autoridade militar – o que reforça uma das críticas dos advogados do jovem, que insinuam a intenção do Exército de encobrir evidências do crime.
Um dos pedidos é para que o soldado não seja reconduzido à caserna, já que o estado emocional da vítima é de “abatimento e depressão, com assumida tendência para o suicídio”. Agora, além do acompanhamento da Assembleia gaúcha, o caso será enviado para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e do Senado Federal. A ideia é monitorar de perto a investigação da Justiça Militar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Somos a esperança: Somos Harry

Jovens que cresceram com o desenrolar da magia de Potter! Jovens que alimentam a esperança, o sonho e a magia. A saga não acaba por aqui!

Você Pode achar infantilidade, mas Harry não é uma simples ficção. Harry é a construção da personalidade de milhões de pessoas.
Coragem. Sem dúvida esse é o principal ensinamento que todo o fantástico conjunto da obra Potterniana passa. Unir forças para lutar contra o mal. Buscar justiça, a verdade.
O conjunto de ensinamentos são tão profundos, que faltam palavras para expressar todos. Mas Harry traz a união, a lealdade. Ele mostra que sozinho não seria nada. Mas que cada um de seus amigos foi peça chave para que o mal fosse derrotado.
O amor é a força que protegeu Harry até que ele estivesse definitivamente preparado para sua batalha final. A construção desses passos é a o crescimento, o desenvolvimento pessoal do garoto, que agora é quase um homem. O amor é a chave para o mundo! O amor é a esperança de recriar uma realidade com justiça, onde todos possam viver!
Somos Hermiones, capazes de buscar nos livros o conhecimento teórico capaz de nos auxiliar nos desafios que a vida nos impõe.
Somos Ronys, receosos. O medo é o elemento fundamental para nos proteger. Mas o elemento que estimula a coragem e a garra para enfrentar as decisões que nos colocam diariamente.
Somos Harrys, pequenos. Indefesos. Perdidos em meio a tantas informações em um mundo completamente estranho. Peças pequenas. Grãos de areia, carregados de esperança.
Somos estes três bruxinhos que juntos e com uma ajudinha de seus protetores, vamos construir uma realidade baseada no bem. Onde a exploração é o lord das trevas, que iremos derrotar!
Somos a juventude que cresceu alimentando a magia narrada nos livros e nos cinemas. Somos a esperança! A literatura trouxe para nós o sonho, acelerou nossa imaginação. Recriava os cenários tal qual como eram narrados nos livros.
Choramos com a morte de Sirius, Dumbledore, Dobby e tantos outros que eram esperanças vivas assim como Harry, Rony e Hermione.
JKR trouxe para nós a magia que estava se perdendo. A esperança e a coragem de nos fazer construir uma realidade paralela, mas extremamente semelhante  real.
A simbologia da saga liga a realidade desterritorializada da magia para a nossa realidade territorializada. Basta olhar, ler...compreender.
O FANTASTICO DESSA “FANTASIA” É A LEITURA DAS ENTRELINHAS!
Harry é critica social, é estrutura social. É política. É economia. É a luta pelo PODER!
Harry pode ser uma fantasia. Mas é a fantasia mais real que já presenciei.
Chorei lendo e assistindo e é sem crer que a saga chegou ao fim que escrevo esse texto meio doido!
A saga não acabou! Nós somos a esperança! Nós somos a magia!
NÓS SOMOS O FUTURO!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

orkut - meu orkut

domingo, 3 de julho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A semiótica na relação entre Harry Potter e a ordem da Fênix e a Ditadura Militar




RESUMO
Como relatar e mostrar para o contexto cultural das crianças e adolescentes a compreensão da conjuntura de uma sociedade? Como ela se divide, organiza e desenvolve-se? O desafio hoje é trazer para eles a compreensão dessa concepção através das sua forma de linguagem e de suas metáforas: o bem e o mal, o justo e o injusto, o certo e o errado, o herói e o bandido e toda a dualiadade que compõem os estereótipos que moldam uma sociedade.  Elementos esses, que surgem na forma de signos e metáforas nos contos de fantasia, sejam nos clássicos ou nos contemporâneos. Usaremos como metodologia os estudos semióticos de Santaella que contextualiza os signos como sinônimos, que buscam através das suas formulações lógicas trazer a abstração máxima. Por isso o objetivo desse texto é trazer semelhanças e as refeerencias que o quinto livro da obra Harry Potter e a Ordem da Fênix fazem com o período ditatorial através da abstração da magia contida no enredo, gerando pontos metafóricos capazes de fazer essa ponte de ligação com um regime político que existe ou já existiu em qualquer sociedade.  

INTRODUÇÃO
Dentro do cenário literário articulado ao cinematográfico os novos contos contextualizam novas dimensões de abordagem social. Harry Potter é um exemplo que deve ser citado. O jovem que passa todo período de adolescência em uma escola de magia e bruxaria, enfrenta assassinos frios e tem o desafio de salvar o mundo tanto dos bruxos como dos trouxas da arte das trevas. Traz consigo os clássicos estereótipos que existiam nas obras clássicas, a ausência dos pais, a luta contra o vilão que o persegue em todos os livros que compõem a obra completa, mas traz também novas contextualizações como os medos, as inseguranças, o assédio, mas carrega consigo a bravura e a coragem sempre presentes em todos os contos clássicos. O foco deste trabalho será no filme adaptado do quinto livro Harry Potter e a Ordem da Fênix, contextualizando os signos que moldam dentro da escola de magia e bruxaria de Hogwarts um sistema opressor e ditatorial onde podemos comparar em alguns pontos a tentativa de ir além de um simples conto: de uma forma mágica o enredo trás esses signos para apresentar momentos que já se fizeram presentes em diversas sociedades.  Para mostrar os aspectos que fazem essa semelhança iremos abordar três pontos chaves: O primeiro será a interferência do governo da metodologia didática da escola de magia e bruxaria. Já o segundo é a presença dos atos institucionais e em terceiro momento é a perseguição ao grupo de alunos que busca outras formas de aprendizagem, seguido da deposição do diretor Alvo Dumbledore. 

3. DESENVOLVIMENTO

3.1. O fenômeno Harry Potter e as referencias ao período ditatorial
Harry Potter e a Ordem da Fênix é a quinta adaptação da série literária dos sete livros que compõem a obra da inglesa J.K. Rowling. O fenômeno literário traz a descrição de cada ano escolar que Harry passa em Hogwarts, a escola de Magia e Bruxaria que prepara os jovens bruxos para o uso da magia. Essa adaptação é o principio do fim de toda a obra. Harry acaba de passar pelo primeiro embate físico com o temido bruxo das trevas e, a sociedade desacredita no reaparecimento do Lord Voldmort. Acreditam que Harry é apenas um adolescente perturbado, que passa a inventar uma história improvável para conquistar os holofotes e a glória. Essa idéia criada pela mídia – Profeta Diário -  e  impulsionada pelo governo, cultivavam uma  imagem destorcida de Harry e de Dumbledore, passando para a sociedade a ilusão de que a segurança prevalecia, e o governo estava controlando a ordem. Com isso, vários fatores passam a ser desencadeados como o controle da didática escolar, restrições nas organizações estudantis e no afastamento do diretor da escola, pois ele era um dos poucos que acreditavam que Lord Voldemort havia retornado e estava preparando-se para dominar a sociedade bruxa e trouxa. A direção da escola passa a ser exercida por uma Inquisidora Dolores Umbridge que passa a abolir ensinamentos de autodefesa que ocorriam na formação dos estudantes, assim como, jogos ou qualquer forma de expressão que pudesse gerar questionamento e reflexão. Atos institucionais foram impostos e o desrespeito a sua autoridade davam origem a punições. Harry juntamente com seus fiéis amigos Rony e Hermione, Harry passa a organizar um grupo de amigos onde ensinava praticas de autodefesa contra a arte das trevas. Nessa breve descrição podemos trazer diversos dignos que fazem referencia ao período ditatorial. 
A interferência do Governo da didática escolar o próprio controle do pensamento, um elemento que conforme SANTAELLA traz é um interpretante de controle social que também existia durante a ditadura militar. Um dos primeiros momentos que encontramos esses traços é no discurso que a então nova professora de Defesa Contra a Arte das Trevas faz na recepção aos alunos. Em seu discurso o primeiro signo que traz uma relação de significante trazendo já a interpretação do controle didático é dito nessas palavras: “O progresso pelo progresso não será encorajado. Vamos preservar o que deve ser preservado. Aperfeiçoar o que for possível aperfeiçoar e cortar práticas que devem ser proibidas.”
O sutil discurso da nova professora é o primeiro elemento da relação triádica que vai sendo construída no decorrer da narrativa. Desse modo, o discurso os elementos proferidos durante o discurso são uma série de signos que alertam para uma série de imposições que irão ser inseridas no ambiente didático. Diante disso Santaella afirma:

[...] falar em primeiro, dentro do contexto da semiótica peirceana, está diretamente ligado à fenomenologia, o que nos leva a identificar o primeiro como caráter da qualidade e possibilidade que correspondem à primeira categoria fenomenológica. (SANTAELLA, 2008)

Diante disso, percebemos que esses signos passam a ser compreendidos no momento em que as indicações da interferência do estado na educação são postas em prática, ou seja, no momento em que os signos passam a ser qualidades com significado real. Para isso SANTAELLA também afirma:
A noção de representação que a tríade semiótica expressa só é introduzida na fenomenologia quando chegamos à terceira categoria (terceiridade), a qual corresponde exatamente à noção de signo como relação triádica. Conclusão: a noção de signo já é, por natureza, triádica, isto é , só define na tríade, não podendo, portanto, ser identificada meramente com a primeira categoria, ou categoria de qualidade.

Para fazer uma comparação dessa perspectiva com aspectos presentes no período ditatorial vemos o controle social através da interferência na educação. Assim CORREIA (2011) traz presente o conceito de controle social como os mecanismo estabelecimento da ordem social, disciplinando a sociedade e submetendo os indivíduos a seguirem determinados padrões sociais e princípios morais. Assegurando a conformidade de comportamento dos indivíduos a um conjunto de regras e princípios prescritos e sancionados. Passamos a observar essa situação quando a nova professora passa ao cargo de Inquisidora, onde passa a sancionar regras onde todos devem seguir. Novas regras que vão desde não formar organizações estudantis, não ouvir músicas ou até andar pelos corredores da escola durante a noite. Pequenas imposições que não possibilitavam aos alunos se organizarem, conversarem ou procurarem formas de eliminar essas práticas. 
A educação sempre foi o carro chefe de qualquer modo de domínio social. Ela trabalha desde as gerações mais jovens até as mais adultas as formas de litura de fazer do mundo. Desse modo, percebe-se o trecho filme onde Umbridge é nomeada inquisidora o domínio mais evidente do Estado sob a educação, destacando nas manchetes do Jornal a educação sendo colocada a frente. Esse é um objeto que remete a um significado mais profundo dos signos que surgiram no inicio da narrativa, quando Umbridge ressalta que o progresso não será encorajado. As sansões e os atos institucionai referencias claras às sansões e imposições do governo militar no período ditatorial são objetos já em tríade que deixam o objeto claro do domínio governamental e da submissão dos estudantes da escola de magia e bruxaria. Desse modo, os signos do discurso passam a tomar forma em primeiridade nas saudações aos alunos que recém chegaram na escola, e já carregados com significado são configurados e não perdem seu teor de interpretação e significado no momento em que o discurso é colocado em prática. 

[...] Na forma ordenada do processo triádico, o interpretante será levado a ter uma relação com o objeto semelhante àquela que o signo em para com o mesmo objeto, ou seja: “a realção deve consistir de um poder do signo para determinar algum interpretante como sendo um signo do mesmo onjeto” Por mais que a cadeia semiótica se expanda, em signos- interpretante gerando dignos- interpretantes, o vínculo com o objeto nunca é perdido, uma vez que o objeto nunca e perdido, uma vez que o objeto é justamente aquilo que existe e resiste na semiose ou ação do signo. (SANTAELLA, 2008)

Assim pode-se fazer a leitura que Santaella traz da relação mediadora do signo entre o objeto e o interpretante. Desse modo, a ação lógica ou semiótica do objeto em destaque é sempre a ação de um signo, ou o modo lógico da ação de um objeto e, portanto, o modo de ação de um signo se dá por causação lógica. 

3.1.1. As organizações secretas
Na ditadura militar organizações secretas surgiram para tentar organizar-se e discutir e encontrar formas de derrubar o atual governo. Na narrativa cinematográfica os signos que remetem a construção dessa forma organizativa são evidentes. O descontentamento com a didática educacional, o sentimento de mãos amarradas e a própria inércia do governo frente a ascenção das trevas era evidente. Diante disso, os protagonistas resolvem se organizar e por em prática os conhecimentos obtidos nas diversas batalhas que Harry já havia passado. O grupo passa a ser formado e em uma sala secreta os alunos encontram-se para treinar diversos feitiços fundamentais para a autodefesa.  Esse grupo intitula-se como a armada de Dumbledore, um ícone que remete medo ao governo que suspeitava da formação de um exército de jovens bruxos para colocar Dumbledore no poder. Essa organização é um objeto que faz clara referencia as organizações clandestinas presentes no período ditatorial. Que organizavam-se, debatiam e procuravam formas de construir estratégias para reverter a situação política que o país havia assumido. 

A luta das esquerdas revolucionárias nos anos 1960 e 1970 pelo fim da ditadura não visava a restaurar a realidade do período anterior a 1964. Embora buscasse se legitimar na defesa da democracia, estava comprometida sim com a construção de um futuro radicalmente novo, no qual o sentido da democracia era outro. A construção da memória deste passado tem sido feita menos à luz dos valores que nortearam as lutas de então e mais em função do presente, dos anos 1980, quando a referência era a democracia - e não mais a revolução. Em jogo, a busca de legitimação, dando sentido ao passado e ao presente.  (Rollemberg, 2011)

A fantasia trazida na narrativa da série traz essa clara relação com as organizações clandestinas. Os jovens bruxos lutavam pela paz que havia sido conquistada pelos seus pais, quando no passado lutaram contra o bruxo das trevas e agora com seu reaparecimento era o momento que eles deveriam ser os atores que iriam garantir o domínio das forças do bem e não a das trevas. Essa percepção é trazida através dos símbolos icônicos que Santaella explica:
Toda percepção tem um caráter esquemático. Nunca percebemos mais do que uma seleção extremamente limitada dos aspectos formais daquilo que é percebido. Mesmo que a identidade material entre o objeto percebido e o modo como ele é percebido seja radicalmente distinta, há, contudo, uma comunhão na identidade formal de ambos.[...] o ingrediente icônico é justamente aquilo que dá suporte ao processo perceptivo, funcionando como substrato da ilusão, subjacente a toda percepção, de que o objeto, tal como percebido, é o próprio objeto.

 A organização obtém sucesso, até o momento em que a inquisidora interroga todos os participantes com a poção da verdade, uma substância que obrigava qualquer pessoa a relatar qualquer fato que fosse questionado. Esse é um signo que remete a tortura e transpõem posteriormente quando todos são punidos por fugirem das regras impostas. Essas características que surgem na narrativa fazem referencia a tortura praticada contra os militantes que lutavam contra a ditadura. Mesmo sendo mostrada de uma maneira muito sutil no filme essa referencia é uma das mais evidentes que surge desde o início, quando Harry questiona as práticas didáticas de Umbridge e é punido fisicamente por ter questionado as imposições da professora e automaticamente do governo. Desse modo, a narrativa trabalha com metáforas para comparar ou relacionar a práticas semelhantes ou a sistemas semelhantes. Frente a isso Santaella afirma: 

As metáforas fazem um paralelo entre o caráter representativo do signo com o caráter representativo de um possível objeto. Ou melhor, e o que é mais engenhoso na definição de Peirce, elas representam o caráter representativo de um signo e traçam um paralelismo com algo diverso. Caráter representativo refere-se àquilo que dá ao signo poder para representar algo diverso dele. É essa que as metáforas representam. Extraem tão-somente o caráter, o potencial representativo em nível de qualidade, de algo e fazem paralelo com alguma coisa diversa. Há sempre uma forte dose de mentalização e acionamento de significados nas metáforas, daí elas serem hipoícones de terceiridade.

Fazendo essa analise metafórica, podemos ver que toda a construção da narrativa da quinta obra do filme traz a descrição de um governo ditador, que busca mostrar domínio e controle da paz, da ordem e do progresso. Atitudes que passam a ser desenhadas no ambiente didático, pois temendo uma revolta dos próprios estudantes frente ao que estava por vir, mas que ele mesmo não queria admitir. Autoridade, supremacia e controle são dois aspectos descritos metaforicamente na construção da lógica do enredo que acontecem em meio a qualquer sociedade. Metáforas que a autora tenta transpor nas obras literárias e são construídas nos cinemas nas suas adaptações. São fábulas, fantasias contemporâneas carregadas de simbologias sociais contemporâneas. Assim vemos no filme a sequência gradativa das cenas, dos discursos, dos comportamentos que trazem claramente a construção do imaginário de qualquer sistema opressor, seja na forma da autoridade do governo, da indignação da sociedade ou da organização e rebeldia social. A literatura ou as adaptações cinematográficas do filme Harry Potter trazem esses conceitos para as novas gerações. Possibilitam através de uma rica descrição de detalhes a construção de um imaginário que pode-se assemelhar e relacionar com a realidade. 

CONCLUSÃO
O enredo pode ser considerado extremamente pobre se analisarmos a riqueza de palavras, mas é rico na descrição minuciosa dos detalhes e isso é vital para a construção das metáforas que remetem a possibilidade de relação com períodos políticos vividos no universo real. É um conjunto abstrato de signos, ícones e índices que em sua união possibilitam uma condição interpretante do conjuntos desses elementos que compõem a sequencia lógica da narrativa e ligam-se resultando na compreensão de uma situação real. Todo o conjunto da obra compõem um conjunto ainda maior de elementos que vão se ligando e irão ser resgatados no final da obra. Neste trabalho foram trazidos três pontos chaves que fazem referencia explicita ao regime político ditatorial, mas todo o conjunto da obra está imerso em elementos que indicam a essa relação.


REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 

SANTAELLA, Lúcia. Teoria geral dos Signos: Como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

CORREIA, C.V. Maria. Controle Social. http://www.epsjv.fiocruz.br/ upload/d/Controle_Social_-_rec.pdf. Acesso em 15 mai. 2011.

sábado, 18 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Legalização das drogas: um problema de saúde pública?


Nossos Heróis morreram de Overdose! 

A frase é clássica, mas traduz claramente a realidade do vício de diversos ícones da música. Símbolos de uma caracterização cultural, estilos e comportamentos que impulsionam o modo de vida de milhares de jovens que encontram nos entorpecentes refúgio para os problemas e incertezas e inspiração para criar comportamentos próprios. Constatação aplicada para a maioria dos jovens, mas que atinge uma expressiva parcela da população. 

A legalização de determinados entorpecentes, em especial a maconha, traz a discussão mais acirrada sobre essa temática. Se, por um lado, a legalização da maconha pode reduzir os índices de homicídios decorrentes do tráfico, ela também pode servir como uma possibilidade de entrada no mundo das drogas e, a partir disso, abrir as portas para outras drogas ilícitas e de maior poder alucinógeno. 



A saúde publica e as drogas 
O debate sobre saúde não se enquadra somente em criticar o SUS e denunciar a falta de profissionais para atender a altíssima demanda nas emergências do país. Essa temática traz um emaranhado de assuntos que vêm da raiz das moléstias que assolam a população, desde o uso incorreto de agrotóxicos na agricultura aos alimentos contaminados, a poluição, a degradação ambiental, as precárias condições de saneamento básico e todo o conjunto de fatores que estão presentes no cotidiano social. 

As substancias psicotrópicas também são agentes fundamentais para serem analisados como problemas de saúde pública. Dados divulgados no relatório Mundial Sobre Drogas mostram que 4,8% da população mundial, entre 15 e 64 anos, são dependentes químicos, número que se mantém estável. Este índice é favorável, frente às políticas de combate ao uso de drogas ilícitas, mas mesmo assim os dados chamam a atenção quando é levado em consideração que 26 milhões de pessoas no mundo são dependentes químicos. 

Diante desses dados e comparados com a demanda da superlotação das emergências médicas, percebe-se que os viciados são uma parcela significativa dos que tomam conta do número de vagas em todo o país e incham esse sistema, quando isso poderia ser evitado, tendo em consideração que a entrada no mundo das drogas é feita por escolhas próprias, diferentemente de uma doença que não se espera o momento que irá se manifestar ou até um acidente qualquer. Moléstias que acontecem não intencionalmente, diferentemente dos efeitos na saúde causado pelas drogas, pois as consequências destas já são conhecidas no momento que se escolhe esse caminho. 


A legalização da maconha e outras drogas e a saúde pública
A legalização da maconha, por exemplo, pode ser vista como um problema de saúde pública quando analisada como uma porta de entrada para as drogas ilícitas como a cocaína e todo o conjunto de psicotrópicos. Diante disso, o questionamento não se volta ao uso da maconha como substancia alucinógena, mas aos malefícios que seu vicio pode causar à saúde humana, da mesma forma que o consumo do cigarro e do álcool causam no organismo. Além disso, as drogas lícitas são portas de entrada para as ilícitas que causam efeitos ainda mais devastadores no corpo. O crack, por exemplo, agora denominada como “Pedra da Morte”, causa conseqüências terríveis no organismo, resultando, na maioria das vezes, no óbito do usuário. 

Conheça o efeito do crack no organismo. 

Obviamente não se pode generalizar. A maconha pode ser uma porta de entrada mais rápida para outras drogas, quando necessariamente também não é considerada. As opiniões divergem nessa questão. Para o médico norte americano John Morgan, autor do livro Maconha: Mitos e fatos, nada mostra que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, e é menos prejudicial que o tabaco. 

O grande problema é a falta de controle e equilíbrio das pessoas, pois ao mesmo tempo a maconha pode ser consumida como o álcool ou o cigarro, que são utilizados e são danosos à saúde se consumidos em excesso. A dependência química dessas drogas lícitas também esbarra nas emergências hospitalares e em longos tratamentos para a perda do vício. 

A bandeira da legalização da maconha é levantada não pelos seus danos como vício, mas diante das conseqüências que ela trás através da criminalidade que o tráfico de drogas gera, que também resulta em graves problemas de saúde pública. São centenas de inocentes feridos, mortos ou reféns do tráfico. A legalização impulsiona muito mais a questão de saúde pública, pois o viciado é aquele que necessita de tratamento médico, de cuidados especiais, incluindo acompanhamento psicológico. Isso também impulsiona a demanda de mais recursos financeiros para esse meio, inclusive aumento do número de profissionais e estrutura para atender a demanda exigida. A comissão brasileira sobre drogas e democracia traz, nas suas propostas, uma revisão da regularização das drogas para combater esse problema. Para a comissão, essa questão é um grande problema de saúde pública, tendo em vista a necessidade de tratamento dos viciados, observados como uma doença e analisando o tráfico, mais precisamente o traficante, como um problema de segurança pública onde a punição e a justiça devem vigorar. 

Hoje, tanto as drogas lícitas como as ilícitas são fontes de poderio dos barões do tráfico. É uma indústria, em que os que realmente ganham não sofrem as conseqüências do vício e não são punidos pelos crimes que acontecem durante o ciclo que envolve todo o tráfico. 

A questão preponderante que gera preocupação, quando se trabalha o debate das drogas como um dos grandes problemas de saúde pública, é o emaranhado de entorpecentes com poder de destruição do ser humano, infinitamente mais poderosos que a maconha, o álcool ou o tabaco. O crack é uma questão de segurança publica, observando do ponto de vista da criminalidade, mas o seu poder de degradação do organismo é infinitamente maior. O resultado final sempre é a morte e, a partir do momento em que se experimenta a pedra, não se consegue mais sair. 

Ainda pior que o crack é o recém nascido Oxy, com poder entorpecente ainda maior. Tem, na sua formulação, ácido de bateria, matando o usuário em menos de um ano. 

Cada vez surgem drogas piores, seja na conjuntura da criminalidade, mas principalmente em danos à saúde. Como combater isso? Como punir os barões e salvar as vítimas que entram nesse mundo obscuro? Essas são as questões que permeiam as discussões políticas e econômicas quanto à legalização das drogas. Legalizar seria uma forma de controlar esse mercado, evitando mortes pela criminalidade e controlando o consumo? Questões que estão na pauta de debates e ainda precisam ser muito revistas pelo poder político e pela sociedade, como um todo. Legalizar é dar liberdade ao consumo e ao mesmo tempo é aumentar o número de usuários e a dependência química. Cada um decide o seu caminho, mas no final é toda a sociedade que paga pelo tratamento e reabilitação do usuário. 

Cada um curte a “vibe” que escolhe, mas todos pagam esse preço. 



quarta-feira, 8 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

O SISTEMA É FODA PARCEIRO







Segurança pública ultrapassou as barreiras do necessário e já passa a uma meta quase inalcançável 


     Tráfico de drogas, prostituição, marginalidade e a criminalidade como um todo. Essas são moléstias sociais que já caíram na banalidade e se tornaram comuns no cotidiano da sociedade. O debate sobre a violência é um dos mais comuns, seja em períodos eleitorais ou não. Ela sempre será um plano de metas lançadas, mas dificilmente alcançadas.
As problemáticas intrínsecas são inúmeras, soluções também, contudo as ações, geralmente são falhas. A raiz dos problemas, não estão sendo realmente percebidas e apontadas soluções para resolve-las.
Retratada em filmes, desenhos animados, telenovelas e na infinidade de produtos  televisionados que são despejados aos brasileiros a violência e os atos ilícitos são tratados como fatos normais do cotidiano. Assim os políticos, policiais corruptos, barrões do trafico e da prostituição, e toda a rede que articulada impõem essa realidade para os brasileiros, contudo são os menos punidos.
Tropa de Elite, tanto o primeiro como o segundo filme retratam em partes essa situação. O verdadeiro inimigo nem sempre é o favelado. A prostituta, nem sempre entra nessa vida por querer, existe uma rede poderosa por trás de tudo isso que explora inocentes e lucra em cima do vicio ou da necessidade. A violência é uma questão reproduzida por um sistema poderoso de exploração onde tubarões caçam lambaris.
É parceiro... O sistema é foda.

Passo Fundo não foge muito da realidade do longa tropa de elite. O bairro cidade universitária é um espaço onde a venda de drogas é explicita. Todos sabem onde e com quem adquirir os produtos, mas ao mesmo tempo fingem não saberem. Os demais bairros não fogem dessa realidade. O bairro São Luiz Gonzaga, por exemplo, vive uma espécie de toque de recolher. Nos relatos dos moradores, o mais comum de se ouvir é o preconceito que eles sofrem por morarem no bairro. Segundo eles, depois das 22h nenhuma empresa faz entregas até a localidade. O motivo: a presença do presídio e principalmente o estereotipo criado em cima dele, além da criminalidade presente no bairro. Esses são dois exemplos que se reproduzem nos demais bairros periféricos da cidade e contrastam com as mesmas moléstias existentes em qualquer cidade do Brasil.

Crianças freqüentando as escolas armados, agredindo pais e consumindo drogas no ambiente escolar. No que o mundo e as pessoas estão se transformando? A hostilidade e a violência de modo generalizado e assumem proporções cada vez mais amplas.
As lojas de conveniência, por exemplo, são é uma problemática que diz respeito não apenas ao sossego público, mas gira sob a venda de bebidas para menores de idade, consumo de drogas e abuso sexual. Pode parecer questionável, mas os casos de abuso e exploração sexual são freqüentes, mas passam na maioria dos casos sem destaque na imprensa e abafados pelo poder público. As vítimas, que em grande parte, sofreram o golpe do “boa noite cinderela”, não ganham o tratamento e assistência necessária, desde quando são socorridas pelos policiais, no momento do registro da ocorrência, onde grande parte dos casos são distorcidos até o atendimento na emergência hospitalar, onde a vitima é tratada como qualquer outra moléstia. Segundo, informações da delegacia da mulher a maioria dos casos de estupro não são punidos por problemas no atendimento a vitima desde sua chegada na delegacia até no hospitalar.
As mortes nesses ambientes também já foram manchetes nos jornais, o que explica isso? Não seriam espaços de lazer, mas passam a ser redimensionados a espaços de reprodução de atitudes que intensificam a violência como um todo.

É diante dessas e de diversas outras questões que cerceiam a segurança pública que o secretário de segurança de Passo Fundo Márcio Patussi, foi convidado para a coletiva de imprensa laboratório da disciplina de A reportagem para os acadêmicos do 5º e 7º nível de jornalismo da Universidade de Passo Fundo.
Márcio Patussi é advogado, professor universitário além de coordenar a secretaria de segurança do município.
Diante das questões abordadas acima, Patussi trouxe alguns dados das ações que a secretaria vem promovendo para tentar amenizar ou resolver essa moléstia social tão intensa na nossa cidade.

Segurança escolar
É inadmissível uma criança entrar armada na escola, ou até mesmo consumir drogas dentro desse ambiente. Os pais devem entender que a escola não é responsável por tudo, eles também possuem sua participação na educação dos seus filhos. Colocar mais que um vigilante em cada escola é uma prática difícil de ser alcançada, pois o número de guardas é pequeno, são poucas as instituições que possuem mais de um vigilante que passa por dificuldade para conter o fluxo de pessoas que transitam diariamente nesses espaços. Patussi afirma que para cobrir a demanda de vigilantes no município seriam necessários cerca de 60 guardas. O secretário ainda afirma que além disso envolve outros custos e a dificuldade para adquirir recursos para a viabilização dessas demandas não permitem que o município supra essas necessidades. Além disso, reforça que para resolver essa questão não é apenas o município e a secretaria de segurança que irão por fim na criminalidade que acontece nas escolas, mas o dialogo, entre pais, professores, estudantes e comunidade é fundamental para tentar compor um ambiente agradável e distante da hostilidade desenvolvida na vida escolar.
A escola municipal do bairro Santa Rita é um exemplo de uma instituição de ensino onde os pais podem ter tranqüilidade no período que seus filhos estão no ambiente escolar. Nessa escola, existe uma parceria com organizações e com a comunidade que desenvolvem esse dialogo é tronam o ambiente escolar tranqüilo e distante da criminalidade.

Soluções para a falta de contingente
Os postos móveis foram uma alternativa sugerida pela Uampaf diante da necessidade de policiamento em determinados locais, em determinados períodos mas que não havia viabilidade tanto de agentes como de estrutura física. Com isso os postos móveis estão se mostrando uma forma eficiente para controlar crimes e garantir a segurança da população.

Patrulhamento
A instalação de câmeras de segurança, em pontos estratégicos do centro da cidade, reduziu significativamente ações criminosas nesses espaços. Diante desse panorama estão previstas a instalação de mais 20 câmeras em áreas de conflito.

Operação sossego
A reclamação da perturbação da ordem publica pela presença de jovens em locais como as lojas de conveniência nas áreas centrais, resultaram em uma série de ações que busca inibir a presença do barulho acentuado nesses locais.  As táticas vão desde a fiscalização do volume do som dos carros até o estacionamento proibido em locais estratégicos a partir das 22h. Blitz e diversas ações contribuem para que a lei do silencio seja cumprida e o sossego prevaleça. Um projeto de lei foi aprovado a pouco mais de duas semanas na Câmara de vereadores de Passo Fundo onde proíbe que lojas de conveniência fiquem abertas após a meia-noite. Para garantir que a lei seja cumprida os agentes estarão fazendo o patrulhamento para garantir a execução do projeto.

Tráfico de drogas
Passo Fundo é a 9ª cidade no índice de criminalidade do Estado. Para resolver isso a partir do próximo ano, todos os órgãos de segurança publica do estado estarão engajadas em trabalhos com a finalidade da redução desse tipo de conflito. O trabalho com os jovens drogados também foi um ponto de destaque.  O município recebe verbas do PRONACI para combater a drogadição e trabalhar os jovens vitimas da dependência química.

Alternativas são tomadas pelo poder público, mas enquanto a segurança tenta resolver as dezenas de moléstias que proporcionam a Passo Fundo o destaque pela criminalidade, o Oxy vem tomando conta e sendo vendido como se fosse crack. Na semana passada um casal foi assaltado em frente uma câmera de segurança instalada na esquina da Rua Independencia com a Capitão Eleutério. Câmera que não estava funcionando. O casal foi feito refém, onde em uma atitude ousada os assaltantes ficaram dando voltas na cidade. O jovem foi preso no porta malas do carro, já sua companheira foi abusada sexualmente. Os criminosos foram presos no dia seguinte, reconhecidos através de uma tatuagem, mas isso aconteceu por que a policia realizou buscas o dia todo. Mas nem sempre é esse o fim das histórias de assaltos, estupros e mortes.
O sistema beneficia alguns, para demonstrar uma imagem, mas dezenas de milhares de outros vivem a dor da impunidade.


É parceiro... o sistema é FODA!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Violência e impunidade: sangue escorre pela terra



A violência no campo é uma realidade vigente desde o período colonial até hoje. A luta pela terra já levou diversas vidas Mas diferentemente de diversos crimes que acontecem em todo o país as chacinas no campo destacam-se pelo caráter da impunidade. O massacre de Eldorado dos Carajás é reflexo disso. Em 1996, tropas da Polícia Militar do Pará mataram dezenove pessoas que participaram de uma enorme marcha pacífica promovida por militantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. A violência da ação policial chocou a população brasileira e internacional e mostrou a fragilidade que vivem as populações camponesas no Brasil.
Passado mais de dez anos, os culpados não foram punidos e mais assassinos continuam eliminando militantes dos movimentos sociais que lutam pelo acesso a terra.
É diante dessa realidade que a Com Arte conversou com o advogado José Batista Afonso integrante da CPT – Comissão Pastoral da Terra- que atua no palco de um dos massacres mais violentos da história da luta dos trabalhadores pela terra. Ele fala sobre a impunidade no campo e o descaso da justiça frente ao conjunto de crimes que ocorrem nesse espaço do Brasil que a mídia dificilmente mostra. Eldorado dos Carajás é a penas um cruel exemplo dos vários focos de mortes que acontecem a todo o momento em que trabalhadores não se calam frente aos mandos e desmandos dos senhores do cenário agrário brasileiro.


ComArte:      Eldorado dos Carajas foi uma das maiores chacinas no espaço agrário. Essa foi uma tentativa de reprimir o avanço da reivindicação pela terra. Por que os poderes utilizam esta forma como repressão?
JB.: A luta pela democratização do acesso à terra no Brasil é marcada por chacinas. Canudos, Corumbiara, Eldorado são exemplos. Isso é reflexo da criminosa concentração da terra e das riquezas nas mãos de poucos. A violência é um método utilizado pelos que concentrar a terra contra os que lutam para defender seus territórios ou exigirem uma ampla reforma agrária. É uma violência institucionalizadas, pois o Estado é conivente, na medida em que adota um  modelo de desenvolvimento para o campo que mantêm o privilégio e os interesses dos setores ligados ao grande capital. 


2)      As Chacinas no campo não caracterizam-se apenas pelo massacre em Eldorado dos Carajás, mas também por diversos outros crimes que acontecem no espaço agrário. Como se dá a punição?
JB.: A punição, praticamente não existe, devido a cumplicidade do Estado. A atuação do poder judiciário em relação a esses casos é marcada pela parcialidade. Os principais responsáveis pelos crimes não são punidos e a impunidade acaba sendo a regra.


4)      Por que chacinas no campo, principalmente na região norte e nordeste não ganham notoriedade no cenário midiático? Quais os interesses que estão por traz disso?
JB.: Os principais órgãos de comunicação da região, estão nas mãos de grupos que são proprietários de terras ou tem ligações políticas com eles. O comportamento dos meios de comunicações regionais, e não difere muito em nível nacional, é mais de empresa de comunicação do que de imprensa, ou seja, estão vinculados economicamente e ideologicamente com esses setores. Razão pela qual, pouco publicam, situações de violação de direitos humanos no campo. A parcialidade da “imprensa” tem como objetivo proteger os interesses dos setores ligados ao agronegócio, a exploração de madeira e exploração de minérios na região.

5)      Existe um papel contrario da segurança publica nesse caso, já que observamos que os executores das vitimas são em alguns casos são policiais?  Quem está por traz deles?
JB.: Nem todos os casos de homicídios no campo tem a participação de policiais. Mas, em muitos casos policiais e pistoleiros sempre atuaram juntos. Se os chefes tem relação políticas e econômicas, seus subordinados não vão agir diferentes.


9)      O massacre completou mais de dez anos e os culpados não foram punidos por que esse descaso?
JB.: O caso Eldorado é um exemplo da difícil luta pela justiça em relação aos crimes no campo no Pará. Nem a pressão nacional e internacional, foi suficiente para afastar a impunidade dos executores e mandantes. A instrução processual expôs a contestável atuação da justiça paraense na busca das provas para a condenação dos culpados. O primeiro júri realizado em 2000 terminou com a absolvição dos principais responsáveis pelas mortes, num escandaloso julgamento, presidido pelo então juiz Ronaldo Vale. As repercuções negativas da atuação do juiz, forçou o tribunal de justiça a anular o júri. Em ato contínuo, numa reação nunca vista nos tribunais brasileiros, todos os juízes da capital se negaram a assumir o processo e a presidir o próximo julgamento. A juíza que aceitou presidir o segundo julgamento, foi obrigada a se afastar do processo dias antes da realização do segundo júri, devido ter determinado a retirada do processo de um laudo pericial sobre a fita gravada no dia do massacre. Era a principal prova contra os acusados. Desmoralizada por uma decisão do STJ que determinou a inclusão do laudo, a então juíza abandonou o processo, na véspera do Júri.
O segundo júri ocorrido em 2002 foi um festival de absolvições. Apenas os dois comandantes da operação foram condenados. O Coronel Pantoja foi condenado a 228 anos de prisão e o Capitão Oliveira a 158 anos.  De 1996 até 2002 foram 6 anos de luta para a realização do Júri e de 2002 até 2011, são 9 anos em que o processo passou entre o TJ Pará e o STJ para julgamento dos recursos de apelação e recurso especial, interpostos pela defesa dos condenados. Enquanto isso, os dois únicos condenados continuam livres graças a uma decisão do STF em um Habeas Corpus. Não se sabe quantos anos ainda o STF gastará pra julgar os recursos que a defesa poderá ainda interpor. Não há nenhuma previsão de quando os dois condenados iniciarão o cumprimento da pena. É o triunfo da impunidade!   

10)   Essa é uma forma de reprimir a voz daqueles e daquelas que lutam pelo direito a terra, como por fim aos crimes contra essas pessoas que apenas lutam pelo direito universal a um espaço para viver e produzir?
JB.: O recuo da reforma agrária. As pressões pós massacre forçou o governo FHC a intensificar as ações de assentamento de famílias sem terra na região. Nos 6 anos pós massacre, (1997-2002), foram criados 245 projetos de assentamentos e “assentadas” 38.295 famílias. Uma média de 6.382 famílias assentadas por ano. Já nos últimos 08 anos, o ritmo de assentamentos diminuiu, foram criados apenas 133 assentamentos e “assentadas” apenas 13.185 famílias. Uma média de 1.648 famílias por ano. Nos últimos quatro anos foram criados apenas 18 Projetos de Assentamentos e assentadas 1.575 famílias no sul e sudeste do Pará. Uma média de 393 famílias por ano. Resultado que atesta a total falência das ações de Reforma Agrária na região. A luta contra a impunidade e em defesa da reforma agrária continua sendo bandeira dos Movimentos Sociais que atuam na região. Soma-se a essa bandeira, a luta contra o atual modelo sócio econômico imposto para o campo que, privilegia a expansão do agronegócio e a exploração mineral indiscriminada, com o comprometimento do ecossistema e da biodiversidade, agravando ainda mais a desigualdade social e a desterritorialização dos povos do campo.