terça-feira, 7 de junho de 2011

O SISTEMA É FODA PARCEIRO







Segurança pública ultrapassou as barreiras do necessário e já passa a uma meta quase inalcançável 


     Tráfico de drogas, prostituição, marginalidade e a criminalidade como um todo. Essas são moléstias sociais que já caíram na banalidade e se tornaram comuns no cotidiano da sociedade. O debate sobre a violência é um dos mais comuns, seja em períodos eleitorais ou não. Ela sempre será um plano de metas lançadas, mas dificilmente alcançadas.
As problemáticas intrínsecas são inúmeras, soluções também, contudo as ações, geralmente são falhas. A raiz dos problemas, não estão sendo realmente percebidas e apontadas soluções para resolve-las.
Retratada em filmes, desenhos animados, telenovelas e na infinidade de produtos  televisionados que são despejados aos brasileiros a violência e os atos ilícitos são tratados como fatos normais do cotidiano. Assim os políticos, policiais corruptos, barrões do trafico e da prostituição, e toda a rede que articulada impõem essa realidade para os brasileiros, contudo são os menos punidos.
Tropa de Elite, tanto o primeiro como o segundo filme retratam em partes essa situação. O verdadeiro inimigo nem sempre é o favelado. A prostituta, nem sempre entra nessa vida por querer, existe uma rede poderosa por trás de tudo isso que explora inocentes e lucra em cima do vicio ou da necessidade. A violência é uma questão reproduzida por um sistema poderoso de exploração onde tubarões caçam lambaris.
É parceiro... O sistema é foda.

Passo Fundo não foge muito da realidade do longa tropa de elite. O bairro cidade universitária é um espaço onde a venda de drogas é explicita. Todos sabem onde e com quem adquirir os produtos, mas ao mesmo tempo fingem não saberem. Os demais bairros não fogem dessa realidade. O bairro São Luiz Gonzaga, por exemplo, vive uma espécie de toque de recolher. Nos relatos dos moradores, o mais comum de se ouvir é o preconceito que eles sofrem por morarem no bairro. Segundo eles, depois das 22h nenhuma empresa faz entregas até a localidade. O motivo: a presença do presídio e principalmente o estereotipo criado em cima dele, além da criminalidade presente no bairro. Esses são dois exemplos que se reproduzem nos demais bairros periféricos da cidade e contrastam com as mesmas moléstias existentes em qualquer cidade do Brasil.

Crianças freqüentando as escolas armados, agredindo pais e consumindo drogas no ambiente escolar. No que o mundo e as pessoas estão se transformando? A hostilidade e a violência de modo generalizado e assumem proporções cada vez mais amplas.
As lojas de conveniência, por exemplo, são é uma problemática que diz respeito não apenas ao sossego público, mas gira sob a venda de bebidas para menores de idade, consumo de drogas e abuso sexual. Pode parecer questionável, mas os casos de abuso e exploração sexual são freqüentes, mas passam na maioria dos casos sem destaque na imprensa e abafados pelo poder público. As vítimas, que em grande parte, sofreram o golpe do “boa noite cinderela”, não ganham o tratamento e assistência necessária, desde quando são socorridas pelos policiais, no momento do registro da ocorrência, onde grande parte dos casos são distorcidos até o atendimento na emergência hospitalar, onde a vitima é tratada como qualquer outra moléstia. Segundo, informações da delegacia da mulher a maioria dos casos de estupro não são punidos por problemas no atendimento a vitima desde sua chegada na delegacia até no hospitalar.
As mortes nesses ambientes também já foram manchetes nos jornais, o que explica isso? Não seriam espaços de lazer, mas passam a ser redimensionados a espaços de reprodução de atitudes que intensificam a violência como um todo.

É diante dessas e de diversas outras questões que cerceiam a segurança pública que o secretário de segurança de Passo Fundo Márcio Patussi, foi convidado para a coletiva de imprensa laboratório da disciplina de A reportagem para os acadêmicos do 5º e 7º nível de jornalismo da Universidade de Passo Fundo.
Márcio Patussi é advogado, professor universitário além de coordenar a secretaria de segurança do município.
Diante das questões abordadas acima, Patussi trouxe alguns dados das ações que a secretaria vem promovendo para tentar amenizar ou resolver essa moléstia social tão intensa na nossa cidade.

Segurança escolar
É inadmissível uma criança entrar armada na escola, ou até mesmo consumir drogas dentro desse ambiente. Os pais devem entender que a escola não é responsável por tudo, eles também possuem sua participação na educação dos seus filhos. Colocar mais que um vigilante em cada escola é uma prática difícil de ser alcançada, pois o número de guardas é pequeno, são poucas as instituições que possuem mais de um vigilante que passa por dificuldade para conter o fluxo de pessoas que transitam diariamente nesses espaços. Patussi afirma que para cobrir a demanda de vigilantes no município seriam necessários cerca de 60 guardas. O secretário ainda afirma que além disso envolve outros custos e a dificuldade para adquirir recursos para a viabilização dessas demandas não permitem que o município supra essas necessidades. Além disso, reforça que para resolver essa questão não é apenas o município e a secretaria de segurança que irão por fim na criminalidade que acontece nas escolas, mas o dialogo, entre pais, professores, estudantes e comunidade é fundamental para tentar compor um ambiente agradável e distante da hostilidade desenvolvida na vida escolar.
A escola municipal do bairro Santa Rita é um exemplo de uma instituição de ensino onde os pais podem ter tranqüilidade no período que seus filhos estão no ambiente escolar. Nessa escola, existe uma parceria com organizações e com a comunidade que desenvolvem esse dialogo é tronam o ambiente escolar tranqüilo e distante da criminalidade.

Soluções para a falta de contingente
Os postos móveis foram uma alternativa sugerida pela Uampaf diante da necessidade de policiamento em determinados locais, em determinados períodos mas que não havia viabilidade tanto de agentes como de estrutura física. Com isso os postos móveis estão se mostrando uma forma eficiente para controlar crimes e garantir a segurança da população.

Patrulhamento
A instalação de câmeras de segurança, em pontos estratégicos do centro da cidade, reduziu significativamente ações criminosas nesses espaços. Diante desse panorama estão previstas a instalação de mais 20 câmeras em áreas de conflito.

Operação sossego
A reclamação da perturbação da ordem publica pela presença de jovens em locais como as lojas de conveniência nas áreas centrais, resultaram em uma série de ações que busca inibir a presença do barulho acentuado nesses locais.  As táticas vão desde a fiscalização do volume do som dos carros até o estacionamento proibido em locais estratégicos a partir das 22h. Blitz e diversas ações contribuem para que a lei do silencio seja cumprida e o sossego prevaleça. Um projeto de lei foi aprovado a pouco mais de duas semanas na Câmara de vereadores de Passo Fundo onde proíbe que lojas de conveniência fiquem abertas após a meia-noite. Para garantir que a lei seja cumprida os agentes estarão fazendo o patrulhamento para garantir a execução do projeto.

Tráfico de drogas
Passo Fundo é a 9ª cidade no índice de criminalidade do Estado. Para resolver isso a partir do próximo ano, todos os órgãos de segurança publica do estado estarão engajadas em trabalhos com a finalidade da redução desse tipo de conflito. O trabalho com os jovens drogados também foi um ponto de destaque.  O município recebe verbas do PRONACI para combater a drogadição e trabalhar os jovens vitimas da dependência química.

Alternativas são tomadas pelo poder público, mas enquanto a segurança tenta resolver as dezenas de moléstias que proporcionam a Passo Fundo o destaque pela criminalidade, o Oxy vem tomando conta e sendo vendido como se fosse crack. Na semana passada um casal foi assaltado em frente uma câmera de segurança instalada na esquina da Rua Independencia com a Capitão Eleutério. Câmera que não estava funcionando. O casal foi feito refém, onde em uma atitude ousada os assaltantes ficaram dando voltas na cidade. O jovem foi preso no porta malas do carro, já sua companheira foi abusada sexualmente. Os criminosos foram presos no dia seguinte, reconhecidos através de uma tatuagem, mas isso aconteceu por que a policia realizou buscas o dia todo. Mas nem sempre é esse o fim das histórias de assaltos, estupros e mortes.
O sistema beneficia alguns, para demonstrar uma imagem, mas dezenas de milhares de outros vivem a dor da impunidade.


É parceiro... o sistema é FODA!

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