terça-feira, 21 de outubro de 2008

Jornalismo ambiental: Revisão de Literatura

Introdução

O presente trabalho abordará o jornalismo ambiental como designação profissional relacionado à mídia, ciência e sociedade. Buscando compreender o que é a profissão em análise, tratando-se de uma área desconhecida por grande parte da população, além do espaço midiático concedido para essa editoria ser reduzido. Conhecer organizações dos profissionais e analisar os conflitos para apresentar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
Traremos como objetivo geral, analisar como o jornalismo ambiental apresenta-se no cenário midiático brasileiro e especificamente compreender a área da profissão em análise, como organiza-se, além do desafio de mídiar os conflitos entre desenvolvimento e preservação.
A escolha deste tema deu-se, a partir da preocupação de compreender e analisar o jornalismo ambiental. Principalmente, pelo grau de importância que esta área agrega à sociedade de modo geral, não sendo apenas uma maneira de escrever, mas outra ferramenta de ver e interpretar o mundo e por isso geralmente envolve riscos e sacrifícios, em virtude do dilema atual de destruir o meio ambiente para o maior crescimento e desenvolvimento econômico ou recuperá-lo. Questões ambientais são extremamente difíceis de serem abordadas, pois em âmbitos gerais todas as ações humanas refletem em impactos ao meio ambiente. Denunciar problemas de ordem ambiental gera efeitos nos setores econômicos, políticos, sociais, nacionais e internacionais, já que esta temática está direta ou indiretamente associada ao centro de todas as políticas públicas e a todos os empreendimentos privados.
Perante este âmbito, pretende-se responder as seguintes perguntas: o que é jornalismo ambiental? Quais são suas organizações? E o principal aspecto pertinente na análise: o desafio dos veículos de comunicação de mídiar os conflitos entre desenvolvimento econômico e preservação.
Diante dessa preocupação, será desenvolvido este texto por exigência da disciplina de Metodologia da pesquisa em Comunicação, no segundo nível do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, na Universidade de Passo Fundo, para aprender a construir artigos científicos.
A pesquisa será direcionada na análise, compreensão e interpretação de bibliografias, sites e nos principais veículos de comunicação que estudam assuntos relacionados a esta temática.

O que é Jornalismo Ambiental


Ao longo da evolução da prática jornalística, inúmeras especializações surgiram. O jornalismo científico ganha forças e expande-se, dando suporte a outros de seus segmentos, dentre eles o jornalismo ambiental.


O jornalismo científico encontrou muitas barreiras no seu surgimento, como o Estado e a Igreja, que censuravam as pesquisas científicas. Mesmo com estes entraves, os cientistas se reuniam de forma a ter uma comunicação aberta sobre os temas científicos. Acontecimentos históricos, como a Segunda Guerra Mundial contribuíram para o avanço do jornalismo cientifico, com o desenvolvimento de armas bélicas e armas químicas, fazendo com que jornalistas e cientistas aproximassem-se para a melhor cobertura da guerra. (TOURINHO, 2007)


No contexto mundial, surge na década de 60, em Paris, inspirado pela Conferência da Biosfera. Em 1972, com a conferência da ONU em Estocolmo sobre meio ambiente, pautas referentes a essa temática passaram a ser divulgadas com maior amplitude. Sua intensificação evidenciou-se na década de 90 com a Conferencia Mundial da ONU sobre Meio Ambiente no Rio de Janeiro, a Eco-92, onde nove mil jornalistas foram credenciados para cobrir o evento, com isso o tema meio ambiente rapidamente tornou-se pauta da imprensa, popularizando questões conhecidas apenas para a comunidade científica. No Brasil, mais especificamente em Porto Alegre, surge, em plena ditadura militar, a reivindicação pelo fechamento da empresa de celulose e papel Borregaard, localizada nas margens do rio Guaíba, principal responsável pela poluição da cidade, tanto hídrica como atmosférica. Essa polêmica fez surgir o primeiro jornalista ambiental do Brasil: Randau Marques, repórter da Agência Estado.
Conceitualmente o jornalismo ambiental é a prática jornalística responsável pela divulgação de fatos, projetos, pesquisas, denúncias relativas à preservação e a biodiversidade. Hoje suas principais pautas são assuntos como a transgenia, biopirataria, aquecimento global e segurança alimentar. Dessa maneira, está sendo uma das áreas com grande crescimento dentro da comunicação, mas sua maior atuação é na mídia on-line.
Dentre suas principais características, podemos diagnosticar em primeiro momento seu enquadramento em todas as regras gerais da profissão, as matérias precisam ser de interesse público para que possam ser vendidas, assim como qualquer outra pauta das demais editorias. Constitui-se de uma linguagem simples, passando informações de uma linguagem técnica científica para uma linguagem mais simples onde o público leigo possa compreendê-la. Sua responsabilidade não é apenas noticiar calamidades, mas apresentar uma visão crítica sobre as questões ambientais, pois o tema ecologia é transversal e envolve todos os setores e mecanismos da sociedade.
Suas características informativas são variáveis, apresentando-se de maneiras diferentes em cada região. Contudo, o cenário midiático brasileiro, destaca-se por abordar desastres, catástrofes ou somente assuntos repercutidos internacionalmente. Ou seja, falar sobre meio ambiente no Brasil é sinônimo de desgraça para a grande massa populacional. Nessa perspectiva, salvam-se programas televisivos como Repórter Eco da Cultura, Globo Ecologia da Rede Globo, entre outros.
Devemos destacar que o jornalismo ambiental não visa fortalecer correntes de movimentos ecológicos, não segue correntes ideológicas, identifica-se pela imparcialidade, porém caracterizar-se por certo “ativismo”. Isso explica-se por ser um veículo midiático capaz de educar os cidadãos de modo que ocorra mudanças de comportamento, dessa maneira a notícia deve sensibilizar e motivar ao maior engajamento e fortalecimento na luta ambiental.


Tem uma função educativa. É necessário que os futuros jornalistas tenham presente a importância do jornalismo ambiental na formação dos cidadãos. Mais que uma especialização, o jornalismo ambiental envolve uma visão de mundo comprometida com novos parâmetros de convivência e solidariedade. (TOURINHO apud CAMPOS, s/d)


Nesse sentido, o jornalismo ambiental possibilita a consolidação de uma nova cultura, novas visões de mundo inclusive na amplitude ética e existencial dos mecanismos da sociedade.


O papel preponderante do profissional de comunicação no contexto das complexas redes de informação num mundo globalizado tende a aumentar sua responsabilidade política, levando-o a exercer a função não apenas informativa, mas também, e, sobretudo, educativa. (SCHAUN, 1998)


Contudo, exercer essa tarefa no espaço midiático brasileiro é difícil, já que possui elementos essenciais, ou seja, matérias- primas para a indústria química, farmacológica, energética, alimentícia, além do elemento fundamental para a civilização: a água. E dessa forma seu território e sua biodiversidade estão sendo cobiçadas por varias nações desenvolvidas, que devido seu processo de crescimento, tiveram seus recursos naturais esgotados. Nessa perspectiva a mídia possui fundamental importância para a criação de novas políticas públicas de desenvolvimento e um novo conceito de consciência ecológica.



Ecojornalistas


Para compreendermos com maior amplitude o tema proposto, analisaremos os grupos e organizações de jornalistas que dedicam-se a essa pauta, primeiramente dentro do contexto histórico e posteriormente sua atuação hoje.
Com o desenvolvimento e surgimento de movimentos ambientalistas, surgem jornalistas dispostos a intensificar e divulgar as lutas, desafios, projetos e resultados relativos ao meio ambiente.
“A porta de entrada dos temas ambientais nas redações foi desde o início, a da rua, por onde entraram jornalistas pessoalmente engajados nos movimentos ambientalistas”. (MEIRELES apud JOHN, s/d)
De acordo com ALVES (2002), o Rio Grande do Sul foi o principal estado a aderir a esta nova editoria, devido à maior concentração de lutas e reivindicações sobre este tema. O primeiro veículo a abrir espaço para essa editoria foi o Correio do povo, em seguida os demais veículos foram aderindo e incluído cadernos especiais para esse assunto.
Em 1989, com o seminário da Fenaj, foram criados núcleos regionais de jornalismo ambiental nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Estados, estes, que passavam por rápido e intenso desenvolvimento tecnológico e industrial e conseqüentemente evidenciava-se maior degradação e destruição ambiental.
Mas apenas no Rio Grande do Sul, o núcleo prosperou. O núcleo gaúcho nasceu dentro de um movimento ambientalista e trabalha em parceria com as principais ONGs promovendo debates no meio universitário. Realizou em comunhão com a Faculdade de Comunicação da UFRGS o “I Curso de Extensão e ecologia para jornalistas”. Esse evento caracterizou-se por ser um preparatório para a Eco -92. O núcleo é formado por 17 jornalistas e apenas sete atuam na grande imprensa, mas apenas um com pautas diárias.
Em nível global, a principal entidade é a Sociedade de Jornalistas de Meio Ambiente dos Estados Unidos. Esta organização foi criada em 1990 por inúmeros jornalistas premiados, hoje, conta com a participação de 1100 participantes. Eles dedicam-se ao enriquecimento das pautas relacionadas a temática ambiental promovendo encontros e debates em todo o país. Também em âmbito mundial, encontramos a Federação de Jornalistas e Meio Ambiente, essa aliança conta com a participação de 52 países. VILLAR (1997) afirma que o principal objetivo da entidade é ampliar a compreensão púbica dos problemas ambientais através do intercâmbio entre os profissionais especializados. VILLAR ainda afirma:


O Núcleo de Ecojornalistas acredita que é preciso formar uma rede virtual de jornalistas especializados em meio ambiente no Brasil, através da internet. Possibilitando a troca de experiências, pautas e fontes. Também defendemos a aproximação com a Federação Internacional de Jornalistas de Meio Ambiente. O intercâmbio internacional e a parceria com as ONGs e cientistas com certeza levará a qualidade do jornalismo ambiental praticado no país. (VILLAR, 1997)


Mas o que consolidou o jornalismo ambiental no espaço midiático brasileiro, foi a criação, na emissora Cultura, de um programa especializado na questão ecológica. Assim, surge o telejornal Repórter-Eco. Possuiu estréia em horário nobre, disputando espaço com o Jornal Nacional da Rede Globo. Depois da Eco-92 o programa sofreu algumas modificações, sendo transmitido semanalmente. Ainda segundo VILLAR, “O programa transformou a ecologia em tema diário desatrelando-a dos grandes desastres.” Vemos os grandes veículos midiáticos brasileiros usando como pauta ambiental, apenas desastres e tragédias espetacularizando a notícia, já o Repórter-Eco, contrapõem este modo de pautar a temática ambiental, enfatizando projetos de recuperação e de desenvolvimento sustentável.
Dentro desta abordagem, podemos destacar jornalistas que consagraram o meio ambiente na pauta midiática brasileira como Washington Novaes, Roberto Villar, Sebastião Pinheiro, Vilmar Berna, Carlos Tautz, Tereza Urban, Eduardo Geraque, Adalberto Marcondes, André Trigueiro, Maria Zulmira de Souza, Liana John, entre outros profissionais de destaque responsáveis pelo desenvolvimento do jornalismo ambiental.

O desafio de mídiar os conflitos entre desenvolvimento econômico e preservação.
Cada vez mais o meio ambiente abrange seu espaço na mídia brasileira e internacional em virtude de inúmeros fatores que vão desde experiências positivas à desastres.Contudo na maioria das vezes assume definições com sentidos contrários incluindo o sensacionalismo. Segundo ALVES (2002) “os meios de comunicação propõem uma idéia que é conflitante com a idéia de preservação de proteção e respeito ao meio ambiente, estimulando valores insustentáveis de consumismo, desperdício, violência, preconceito e desrespeito”.

O papel da mídia no cenário: sistema econômico x meio ambiente

O sistema político e econômico no qual estamos inseridos nos remete a uma corrida desenfreada para a obtenção de desenvolvimento e acima de tudo ao lucro. Com isso, geramos conseqüentemente degradação ambiental, pois todas nossas ações direta ou indiretamente remetem-nos a efeitos destrutivos ao meio ambiente, não apenas local, mas refletindo em todo bioma do planeta.
Diante tantas irregularidades ambientais é dever da mídia denunciar para toda população essas questões. Contudo observamos nesse cenário a negligência e a despreocupação da mídia brasileira e internacional na divulgação de pautas com essa temática. São poucos os programas que contribuem para esta prática dentre eles podemos citar o Observatório da Imprensa, Brasil Nação, Repórter-Eco, entre outros que discutem e debatem assuntos dessa ordem. Mas as grandes redes de comunicação como Rede Globo e outros detentores do poder midiático brasileiro, simplesmente ignoram além de muitas vezes não divulgar assuntos desse âmbito. Isso explica-se pelo fato das grandes multinacionais Bungue, Monsanto, Aracruz Celulose S.A, Nestlé, entre inúmeras outras empresas que vão desde telecomunicações, a energéticas, patrocinam programas e fornecem subsídios para os veículos de comunicação manterem-se ativos e, assim, invistam em mão-de-obra e bens estruturais. Essa é uma das maneiras articuladas pelas empresas, para explorarem ao máximo as matérias-primas encontradas em nosso ecossistema, gerando diversos efeitos destrutivos ao nosso meio, e assim seus projetos não sejam abruptamente estagnados com a interferência da mídia. Dessa maneira, o papel da mídia como agente responsável pela preservação ambiental encontra-se nulo e destaca-se apenas por atuar no âmbito empresarial.
Nesse contexto, “o jornalismo ambiental passa por um processo de transição”. (BUENO, s/d) Com alguns veículos iniciando uma análise mais ampla sobre essa questão, jornalistas estão passando por dificuldades inclusive com ameaças e processos judiciais, mas também encontramos veículos com altos índices de audiência e credibilidade no mercado midiático brasileiro e não contribuem para a pauta ambiental.


O jornalismo ambiental atravessa um momento de transição, e é possível, apesar dos lobbies das multinacionais, da omissão do Governo, da cumplicidade de setores da comunidade cientifica, enxergar novas possibilidades para o futuro.[...] Em seu novo conceito e em sua nova realidade que estão sendo plasmados agora, passa a incorporar uma visão inter e multidisciplinar que explora os limites dos cadernos e das editorias. Por que a fragmentação imposta pelo sistema de produção jornalística fragiliza a cobertura de temas ambientais. (BUENO, s/d)


O jornalismo ambiental brasileiro está “estagnado”. Busca na medida do possível divulgar os fatos relativos a projetos, pesquisas, denúncias entre outras das suas especificidades, mas disputa espaço na mídia na divulgação e repercussão de projetos de desenvolvimento econômico com fins para exportação.
Quando ocorre algum fato que por ventura venha diagnosticar e a divulgar situações problemáticas envolvendo degradação gerada por uma empresa em determinado bioma, a mídia que deveria fazer o papel de agente intensificador do diagnostico colaborando com a maior repercussão do assunto, não atua com a devida função e muitas vezes faz papel contrário dentro desse contexto.
Um exemplo prático que pode-se citar é a ocupação do horto florestal da Aracruz Celulose S.A, no dia oito de março de 2006, quando aproximadamente duas mil mulheres depredaram estufas e o laboratório. Mudas e sementes utilizadas para pesquisa em desenvolvimento genético das plantas foram totalmente perdidas. Essa ação ocorreu em protesto à intensificação da produção de monoculturas exóticas, pela expansão e compra de terras brasileiras pela empresa, pela poluição e risco e degradação ambiental causado no cultivo destas espécies de árvores e no processo de industrialização da polpa de celulose. Com este fato a mídia ficou não poupou críticas. Possuiu como tema principal em sua repercussão a divulgação de fatos que interessavam à empresa. Acusaram as manifestantes de vândalas, repudiando ao máximo o ato, mostrando a empresa como vítima da situação. Mas apenas não foi divulgado o motivo pelo qual a Via Campesina estava protestando. Para compreendermos como a mídia posicionou-se perante o advento analisaremos dentro dos noticiários da RBS TV (Rede Brasil Sul de Comunicação) e observamos claramente sua posição contrária às manifestantes e a favorável a empresa nos comentários de Lasier Martins no dia 10 de março de 2006, dois dias depois da ocupação.


(...) É lamentável ver aquelas mulheres que serviram de massa de manobra a este trabalho que alcança repercussão mundial (...) aquelas mulheres da invasão (...) mulheres vândalas. (...) O caso da destruição das plantas e do laboratório da Aracruz, foi mais uma nessa infindável e crescente trajetória de vandalismos. (Lasier Martins. 10 de março de 2006, Jornal do Almoço, TOURINHO, s/d)


O comentário de Lasier Martins define claramente como foi repercutido a ação pela mídia hegemônica nacional. Um problema de ordem ambiental nacional, que está trazendo sérios danos aos ecossistemas do Rio Grande do Sul, até o período anterior a ocupação, esta questão simplesmente era ignorada pela mídia e pela população gaúcha e após a ação universidades, ONGs e demais entidades passaram a debater este dilema que afeta não apenas o estado do sul do Brasil, mas também presencia-se nas demais regiões do país. Nesse sentido “a mídia presta serviços ao modelo capitalista, sabendo utilizar muito bem sua principal ferramenta: a informação.” (Sousa, s/d).
A sinalização dos problemas ambientais mais graves é divulgada na maioria das vezes por grupos e organizações que a mídia aristocrática brasileira denomina como baderneiros e vândalos. E na presença de ações como a já citada vemos a mídia enfocando apenas o lado empresarial agredido.
Não podemos negar a necessidade de ocorrer desenvolvimento econômico. Mas devemos prezar e construir um desenvolvimento econômico baseado em primeiro plano na sustentabilidade planetária. Havendo exploração ordenada das matérias-primas e unindo-a com reposição gerando conseqüentemente preservação. Isso depende em primazia à conscientização e educação dos cidadãos. Possuímos meios para que isso ocorra, e a mídia é uma das principais ferramentas para consolidar educação ambiental à população. “Ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo. Os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo” (SCHAUN apud FREIRE, 1998). Ainda nesse âmbito:


O desenvolvimento sustentado diz respeito ao geossistema planetário da terra, que deve ser respeitado na sua relação com a economia e a sobrevivência das populações, objetivando a criação de oportunidades de investimentos e negócios que permitam a melhoria da qualidade de vida e o aumento da renda das populações. (SHAUN, s/d)


Podemos considerar que o principal e determinante desafio encontrado é o simples fato de noticiar os conflitos entre preservação e desenvolvimento econômico, pois são dois extremos que sempre vão se conflitar. Possuímos o exemplo da ocupação da Aracruz celulose em 2006, também podemos visualizar a questão da transposição do Rio São Francisco na qual culminou na greve de fome do Bispo Dom Luiz Flávio Cappio. O governo afirmava que a transposição iria beneficiar centenas de nordestinos mutilados pela falta de água encanada em suas residências, mas na realidade esse fato era apenas um pretexto e os grandes beneficiados com a transposição seriam os grandes proprietários de terras do agreste que obteriam mecanismos de aumentarem a produtividade de suas plantações irrigando-as. Contudo a mídia também não noticiou esta questão, apenas comentava sobre a greve de fome do Bispo e a articulação do governo com os aliados de Dom Cappio, para que o religioso não morresse e assim culminasse em um grande escândalo para o governo. Essa espécie de proteção ocorre por que quem cede às concessões, fundamentais para que as emissoras tenham seu sinal transmitido em cadeia nacional pelo sistema de canal aberto. Sendo, assim, um jogo de interesses de ambos os lados.
Esta questão reflete-se em vários âmbitos. É evidente em nosso país a biopirataria, o problema da transgenia, a degradação causada pelo cultivo da cana-de-açúcar, a expansão das plantações de soja no cerrado e na Amazônia, e o grande palco de discussões a devastação da floresta amazônica. São todas questões de ordem direta ao sistema econômico brasileiro que culminam no extremo do desenvolvimento e crescimento do país e no da preservação, essencial para continuidade da vida planetária. E entre eles a mídia, que em grande parte cede aos interesses dos grandes grupos econômicos e ao governo e em pequena escala preocupa-se com a questão da preservação ambiental e busca inovar, educar e trazer conscientização ambiental.
Considerações Finais


Diante a análise da atuação do jornalismo ambiental no cenário midiático brasileiro, observamos sua importância para problemas e questões relativas ao meio ambiente. Não apenas na divulgação de desastres e catástrofes, mas abordamos sua questão central e primordial, na qual destaca-se por definir e mostrar resultados de pesquisas, projetos, soluções e problemas que devem ser enfrentados através da denúncia de fatos.
Com isso, o jornalismo ambiental assume papel importante na pauta ambiental, contudo observamos esta editoria sendo tratada com superficialidade no universo midiático nacional, devido à falta de profissionais competentes nesta área, pois vemos a necessidade de jornalistas especializados pelo fato dos temas apresentarem-se mais complexos, na medida em que assuntos dessa ordem apresentam-se cada vez mais pertinentes e conflitantes no cenário global, principalmente por problemas agravantes como aquecimento global, desmatamento, monoculturas, transgenia, entre outros aspectos relativos.
Observamos existência de programas e veículos de comunicação preocupados com a divulgação qualitativa de assuntos relativos a esta temática e assim apresentam novos horizontes para o jornalismo ambiental brasileiro.Contudo, vislumbramos a distorção dos fatos, realizada principalmente pelos grandes grupos midiáticos brasileiros, escondendo problemas sérios de ordem ambiental.
Dentro do âmbito conjuntural, observamos como função central do jornalismo ambiental construir uma sociedade fundamentada em princípios críticos e assim seja conscientizada e esclarecida sobre os fatos ambientais. Assim o jornalismo ambiental deve inserir a sociedade dentro de sua temática central, informando e apresentando possíveis soluções para suas pautas.









Referências Bibliográficas

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