quinta-feira, 23 de junho de 2011

A semiótica na relação entre Harry Potter e a ordem da Fênix e a Ditadura Militar




RESUMO
Como relatar e mostrar para o contexto cultural das crianças e adolescentes a compreensão da conjuntura de uma sociedade? Como ela se divide, organiza e desenvolve-se? O desafio hoje é trazer para eles a compreensão dessa concepção através das sua forma de linguagem e de suas metáforas: o bem e o mal, o justo e o injusto, o certo e o errado, o herói e o bandido e toda a dualiadade que compõem os estereótipos que moldam uma sociedade.  Elementos esses, que surgem na forma de signos e metáforas nos contos de fantasia, sejam nos clássicos ou nos contemporâneos. Usaremos como metodologia os estudos semióticos de Santaella que contextualiza os signos como sinônimos, que buscam através das suas formulações lógicas trazer a abstração máxima. Por isso o objetivo desse texto é trazer semelhanças e as refeerencias que o quinto livro da obra Harry Potter e a Ordem da Fênix fazem com o período ditatorial através da abstração da magia contida no enredo, gerando pontos metafóricos capazes de fazer essa ponte de ligação com um regime político que existe ou já existiu em qualquer sociedade.  

INTRODUÇÃO
Dentro do cenário literário articulado ao cinematográfico os novos contos contextualizam novas dimensões de abordagem social. Harry Potter é um exemplo que deve ser citado. O jovem que passa todo período de adolescência em uma escola de magia e bruxaria, enfrenta assassinos frios e tem o desafio de salvar o mundo tanto dos bruxos como dos trouxas da arte das trevas. Traz consigo os clássicos estereótipos que existiam nas obras clássicas, a ausência dos pais, a luta contra o vilão que o persegue em todos os livros que compõem a obra completa, mas traz também novas contextualizações como os medos, as inseguranças, o assédio, mas carrega consigo a bravura e a coragem sempre presentes em todos os contos clássicos. O foco deste trabalho será no filme adaptado do quinto livro Harry Potter e a Ordem da Fênix, contextualizando os signos que moldam dentro da escola de magia e bruxaria de Hogwarts um sistema opressor e ditatorial onde podemos comparar em alguns pontos a tentativa de ir além de um simples conto: de uma forma mágica o enredo trás esses signos para apresentar momentos que já se fizeram presentes em diversas sociedades.  Para mostrar os aspectos que fazem essa semelhança iremos abordar três pontos chaves: O primeiro será a interferência do governo da metodologia didática da escola de magia e bruxaria. Já o segundo é a presença dos atos institucionais e em terceiro momento é a perseguição ao grupo de alunos que busca outras formas de aprendizagem, seguido da deposição do diretor Alvo Dumbledore. 

3. DESENVOLVIMENTO

3.1. O fenômeno Harry Potter e as referencias ao período ditatorial
Harry Potter e a Ordem da Fênix é a quinta adaptação da série literária dos sete livros que compõem a obra da inglesa J.K. Rowling. O fenômeno literário traz a descrição de cada ano escolar que Harry passa em Hogwarts, a escola de Magia e Bruxaria que prepara os jovens bruxos para o uso da magia. Essa adaptação é o principio do fim de toda a obra. Harry acaba de passar pelo primeiro embate físico com o temido bruxo das trevas e, a sociedade desacredita no reaparecimento do Lord Voldmort. Acreditam que Harry é apenas um adolescente perturbado, que passa a inventar uma história improvável para conquistar os holofotes e a glória. Essa idéia criada pela mídia – Profeta Diário -  e  impulsionada pelo governo, cultivavam uma  imagem destorcida de Harry e de Dumbledore, passando para a sociedade a ilusão de que a segurança prevalecia, e o governo estava controlando a ordem. Com isso, vários fatores passam a ser desencadeados como o controle da didática escolar, restrições nas organizações estudantis e no afastamento do diretor da escola, pois ele era um dos poucos que acreditavam que Lord Voldemort havia retornado e estava preparando-se para dominar a sociedade bruxa e trouxa. A direção da escola passa a ser exercida por uma Inquisidora Dolores Umbridge que passa a abolir ensinamentos de autodefesa que ocorriam na formação dos estudantes, assim como, jogos ou qualquer forma de expressão que pudesse gerar questionamento e reflexão. Atos institucionais foram impostos e o desrespeito a sua autoridade davam origem a punições. Harry juntamente com seus fiéis amigos Rony e Hermione, Harry passa a organizar um grupo de amigos onde ensinava praticas de autodefesa contra a arte das trevas. Nessa breve descrição podemos trazer diversos dignos que fazem referencia ao período ditatorial. 
A interferência do Governo da didática escolar o próprio controle do pensamento, um elemento que conforme SANTAELLA traz é um interpretante de controle social que também existia durante a ditadura militar. Um dos primeiros momentos que encontramos esses traços é no discurso que a então nova professora de Defesa Contra a Arte das Trevas faz na recepção aos alunos. Em seu discurso o primeiro signo que traz uma relação de significante trazendo já a interpretação do controle didático é dito nessas palavras: “O progresso pelo progresso não será encorajado. Vamos preservar o que deve ser preservado. Aperfeiçoar o que for possível aperfeiçoar e cortar práticas que devem ser proibidas.”
O sutil discurso da nova professora é o primeiro elemento da relação triádica que vai sendo construída no decorrer da narrativa. Desse modo, o discurso os elementos proferidos durante o discurso são uma série de signos que alertam para uma série de imposições que irão ser inseridas no ambiente didático. Diante disso Santaella afirma:

[...] falar em primeiro, dentro do contexto da semiótica peirceana, está diretamente ligado à fenomenologia, o que nos leva a identificar o primeiro como caráter da qualidade e possibilidade que correspondem à primeira categoria fenomenológica. (SANTAELLA, 2008)

Diante disso, percebemos que esses signos passam a ser compreendidos no momento em que as indicações da interferência do estado na educação são postas em prática, ou seja, no momento em que os signos passam a ser qualidades com significado real. Para isso SANTAELLA também afirma:
A noção de representação que a tríade semiótica expressa só é introduzida na fenomenologia quando chegamos à terceira categoria (terceiridade), a qual corresponde exatamente à noção de signo como relação triádica. Conclusão: a noção de signo já é, por natureza, triádica, isto é , só define na tríade, não podendo, portanto, ser identificada meramente com a primeira categoria, ou categoria de qualidade.

Para fazer uma comparação dessa perspectiva com aspectos presentes no período ditatorial vemos o controle social através da interferência na educação. Assim CORREIA (2011) traz presente o conceito de controle social como os mecanismo estabelecimento da ordem social, disciplinando a sociedade e submetendo os indivíduos a seguirem determinados padrões sociais e princípios morais. Assegurando a conformidade de comportamento dos indivíduos a um conjunto de regras e princípios prescritos e sancionados. Passamos a observar essa situação quando a nova professora passa ao cargo de Inquisidora, onde passa a sancionar regras onde todos devem seguir. Novas regras que vão desde não formar organizações estudantis, não ouvir músicas ou até andar pelos corredores da escola durante a noite. Pequenas imposições que não possibilitavam aos alunos se organizarem, conversarem ou procurarem formas de eliminar essas práticas. 
A educação sempre foi o carro chefe de qualquer modo de domínio social. Ela trabalha desde as gerações mais jovens até as mais adultas as formas de litura de fazer do mundo. Desse modo, percebe-se o trecho filme onde Umbridge é nomeada inquisidora o domínio mais evidente do Estado sob a educação, destacando nas manchetes do Jornal a educação sendo colocada a frente. Esse é um objeto que remete a um significado mais profundo dos signos que surgiram no inicio da narrativa, quando Umbridge ressalta que o progresso não será encorajado. As sansões e os atos institucionai referencias claras às sansões e imposições do governo militar no período ditatorial são objetos já em tríade que deixam o objeto claro do domínio governamental e da submissão dos estudantes da escola de magia e bruxaria. Desse modo, os signos do discurso passam a tomar forma em primeiridade nas saudações aos alunos que recém chegaram na escola, e já carregados com significado são configurados e não perdem seu teor de interpretação e significado no momento em que o discurso é colocado em prática. 

[...] Na forma ordenada do processo triádico, o interpretante será levado a ter uma relação com o objeto semelhante àquela que o signo em para com o mesmo objeto, ou seja: “a realção deve consistir de um poder do signo para determinar algum interpretante como sendo um signo do mesmo onjeto” Por mais que a cadeia semiótica se expanda, em signos- interpretante gerando dignos- interpretantes, o vínculo com o objeto nunca é perdido, uma vez que o objeto nunca e perdido, uma vez que o objeto é justamente aquilo que existe e resiste na semiose ou ação do signo. (SANTAELLA, 2008)

Assim pode-se fazer a leitura que Santaella traz da relação mediadora do signo entre o objeto e o interpretante. Desse modo, a ação lógica ou semiótica do objeto em destaque é sempre a ação de um signo, ou o modo lógico da ação de um objeto e, portanto, o modo de ação de um signo se dá por causação lógica. 

3.1.1. As organizações secretas
Na ditadura militar organizações secretas surgiram para tentar organizar-se e discutir e encontrar formas de derrubar o atual governo. Na narrativa cinematográfica os signos que remetem a construção dessa forma organizativa são evidentes. O descontentamento com a didática educacional, o sentimento de mãos amarradas e a própria inércia do governo frente a ascenção das trevas era evidente. Diante disso, os protagonistas resolvem se organizar e por em prática os conhecimentos obtidos nas diversas batalhas que Harry já havia passado. O grupo passa a ser formado e em uma sala secreta os alunos encontram-se para treinar diversos feitiços fundamentais para a autodefesa.  Esse grupo intitula-se como a armada de Dumbledore, um ícone que remete medo ao governo que suspeitava da formação de um exército de jovens bruxos para colocar Dumbledore no poder. Essa organização é um objeto que faz clara referencia as organizações clandestinas presentes no período ditatorial. Que organizavam-se, debatiam e procuravam formas de construir estratégias para reverter a situação política que o país havia assumido. 

A luta das esquerdas revolucionárias nos anos 1960 e 1970 pelo fim da ditadura não visava a restaurar a realidade do período anterior a 1964. Embora buscasse se legitimar na defesa da democracia, estava comprometida sim com a construção de um futuro radicalmente novo, no qual o sentido da democracia era outro. A construção da memória deste passado tem sido feita menos à luz dos valores que nortearam as lutas de então e mais em função do presente, dos anos 1980, quando a referência era a democracia - e não mais a revolução. Em jogo, a busca de legitimação, dando sentido ao passado e ao presente.  (Rollemberg, 2011)

A fantasia trazida na narrativa da série traz essa clara relação com as organizações clandestinas. Os jovens bruxos lutavam pela paz que havia sido conquistada pelos seus pais, quando no passado lutaram contra o bruxo das trevas e agora com seu reaparecimento era o momento que eles deveriam ser os atores que iriam garantir o domínio das forças do bem e não a das trevas. Essa percepção é trazida através dos símbolos icônicos que Santaella explica:
Toda percepção tem um caráter esquemático. Nunca percebemos mais do que uma seleção extremamente limitada dos aspectos formais daquilo que é percebido. Mesmo que a identidade material entre o objeto percebido e o modo como ele é percebido seja radicalmente distinta, há, contudo, uma comunhão na identidade formal de ambos.[...] o ingrediente icônico é justamente aquilo que dá suporte ao processo perceptivo, funcionando como substrato da ilusão, subjacente a toda percepção, de que o objeto, tal como percebido, é o próprio objeto.

 A organização obtém sucesso, até o momento em que a inquisidora interroga todos os participantes com a poção da verdade, uma substância que obrigava qualquer pessoa a relatar qualquer fato que fosse questionado. Esse é um signo que remete a tortura e transpõem posteriormente quando todos são punidos por fugirem das regras impostas. Essas características que surgem na narrativa fazem referencia a tortura praticada contra os militantes que lutavam contra a ditadura. Mesmo sendo mostrada de uma maneira muito sutil no filme essa referencia é uma das mais evidentes que surge desde o início, quando Harry questiona as práticas didáticas de Umbridge e é punido fisicamente por ter questionado as imposições da professora e automaticamente do governo. Desse modo, a narrativa trabalha com metáforas para comparar ou relacionar a práticas semelhantes ou a sistemas semelhantes. Frente a isso Santaella afirma: 

As metáforas fazem um paralelo entre o caráter representativo do signo com o caráter representativo de um possível objeto. Ou melhor, e o que é mais engenhoso na definição de Peirce, elas representam o caráter representativo de um signo e traçam um paralelismo com algo diverso. Caráter representativo refere-se àquilo que dá ao signo poder para representar algo diverso dele. É essa que as metáforas representam. Extraem tão-somente o caráter, o potencial representativo em nível de qualidade, de algo e fazem paralelo com alguma coisa diversa. Há sempre uma forte dose de mentalização e acionamento de significados nas metáforas, daí elas serem hipoícones de terceiridade.

Fazendo essa analise metafórica, podemos ver que toda a construção da narrativa da quinta obra do filme traz a descrição de um governo ditador, que busca mostrar domínio e controle da paz, da ordem e do progresso. Atitudes que passam a ser desenhadas no ambiente didático, pois temendo uma revolta dos próprios estudantes frente ao que estava por vir, mas que ele mesmo não queria admitir. Autoridade, supremacia e controle são dois aspectos descritos metaforicamente na construção da lógica do enredo que acontecem em meio a qualquer sociedade. Metáforas que a autora tenta transpor nas obras literárias e são construídas nos cinemas nas suas adaptações. São fábulas, fantasias contemporâneas carregadas de simbologias sociais contemporâneas. Assim vemos no filme a sequência gradativa das cenas, dos discursos, dos comportamentos que trazem claramente a construção do imaginário de qualquer sistema opressor, seja na forma da autoridade do governo, da indignação da sociedade ou da organização e rebeldia social. A literatura ou as adaptações cinematográficas do filme Harry Potter trazem esses conceitos para as novas gerações. Possibilitam através de uma rica descrição de detalhes a construção de um imaginário que pode-se assemelhar e relacionar com a realidade. 

CONCLUSÃO
O enredo pode ser considerado extremamente pobre se analisarmos a riqueza de palavras, mas é rico na descrição minuciosa dos detalhes e isso é vital para a construção das metáforas que remetem a possibilidade de relação com períodos políticos vividos no universo real. É um conjunto abstrato de signos, ícones e índices que em sua união possibilitam uma condição interpretante do conjuntos desses elementos que compõem a sequencia lógica da narrativa e ligam-se resultando na compreensão de uma situação real. Todo o conjunto da obra compõem um conjunto ainda maior de elementos que vão se ligando e irão ser resgatados no final da obra. Neste trabalho foram trazidos três pontos chaves que fazem referencia explicita ao regime político ditatorial, mas todo o conjunto da obra está imerso em elementos que indicam a essa relação.


REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 

SANTAELLA, Lúcia. Teoria geral dos Signos: Como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

CORREIA, C.V. Maria. Controle Social. http://www.epsjv.fiocruz.br/ upload/d/Controle_Social_-_rec.pdf. Acesso em 15 mai. 2011.

sábado, 18 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Legalização das drogas: um problema de saúde pública?


Nossos Heróis morreram de Overdose! 

A frase é clássica, mas traduz claramente a realidade do vício de diversos ícones da música. Símbolos de uma caracterização cultural, estilos e comportamentos que impulsionam o modo de vida de milhares de jovens que encontram nos entorpecentes refúgio para os problemas e incertezas e inspiração para criar comportamentos próprios. Constatação aplicada para a maioria dos jovens, mas que atinge uma expressiva parcela da população. 

A legalização de determinados entorpecentes, em especial a maconha, traz a discussão mais acirrada sobre essa temática. Se, por um lado, a legalização da maconha pode reduzir os índices de homicídios decorrentes do tráfico, ela também pode servir como uma possibilidade de entrada no mundo das drogas e, a partir disso, abrir as portas para outras drogas ilícitas e de maior poder alucinógeno. 



A saúde publica e as drogas 
O debate sobre saúde não se enquadra somente em criticar o SUS e denunciar a falta de profissionais para atender a altíssima demanda nas emergências do país. Essa temática traz um emaranhado de assuntos que vêm da raiz das moléstias que assolam a população, desde o uso incorreto de agrotóxicos na agricultura aos alimentos contaminados, a poluição, a degradação ambiental, as precárias condições de saneamento básico e todo o conjunto de fatores que estão presentes no cotidiano social. 

As substancias psicotrópicas também são agentes fundamentais para serem analisados como problemas de saúde pública. Dados divulgados no relatório Mundial Sobre Drogas mostram que 4,8% da população mundial, entre 15 e 64 anos, são dependentes químicos, número que se mantém estável. Este índice é favorável, frente às políticas de combate ao uso de drogas ilícitas, mas mesmo assim os dados chamam a atenção quando é levado em consideração que 26 milhões de pessoas no mundo são dependentes químicos. 

Diante desses dados e comparados com a demanda da superlotação das emergências médicas, percebe-se que os viciados são uma parcela significativa dos que tomam conta do número de vagas em todo o país e incham esse sistema, quando isso poderia ser evitado, tendo em consideração que a entrada no mundo das drogas é feita por escolhas próprias, diferentemente de uma doença que não se espera o momento que irá se manifestar ou até um acidente qualquer. Moléstias que acontecem não intencionalmente, diferentemente dos efeitos na saúde causado pelas drogas, pois as consequências destas já são conhecidas no momento que se escolhe esse caminho. 


A legalização da maconha e outras drogas e a saúde pública
A legalização da maconha, por exemplo, pode ser vista como um problema de saúde pública quando analisada como uma porta de entrada para as drogas ilícitas como a cocaína e todo o conjunto de psicotrópicos. Diante disso, o questionamento não se volta ao uso da maconha como substancia alucinógena, mas aos malefícios que seu vicio pode causar à saúde humana, da mesma forma que o consumo do cigarro e do álcool causam no organismo. Além disso, as drogas lícitas são portas de entrada para as ilícitas que causam efeitos ainda mais devastadores no corpo. O crack, por exemplo, agora denominada como “Pedra da Morte”, causa conseqüências terríveis no organismo, resultando, na maioria das vezes, no óbito do usuário. 

Conheça o efeito do crack no organismo. 

Obviamente não se pode generalizar. A maconha pode ser uma porta de entrada mais rápida para outras drogas, quando necessariamente também não é considerada. As opiniões divergem nessa questão. Para o médico norte americano John Morgan, autor do livro Maconha: Mitos e fatos, nada mostra que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, e é menos prejudicial que o tabaco. 

O grande problema é a falta de controle e equilíbrio das pessoas, pois ao mesmo tempo a maconha pode ser consumida como o álcool ou o cigarro, que são utilizados e são danosos à saúde se consumidos em excesso. A dependência química dessas drogas lícitas também esbarra nas emergências hospitalares e em longos tratamentos para a perda do vício. 

A bandeira da legalização da maconha é levantada não pelos seus danos como vício, mas diante das conseqüências que ela trás através da criminalidade que o tráfico de drogas gera, que também resulta em graves problemas de saúde pública. São centenas de inocentes feridos, mortos ou reféns do tráfico. A legalização impulsiona muito mais a questão de saúde pública, pois o viciado é aquele que necessita de tratamento médico, de cuidados especiais, incluindo acompanhamento psicológico. Isso também impulsiona a demanda de mais recursos financeiros para esse meio, inclusive aumento do número de profissionais e estrutura para atender a demanda exigida. A comissão brasileira sobre drogas e democracia traz, nas suas propostas, uma revisão da regularização das drogas para combater esse problema. Para a comissão, essa questão é um grande problema de saúde pública, tendo em vista a necessidade de tratamento dos viciados, observados como uma doença e analisando o tráfico, mais precisamente o traficante, como um problema de segurança pública onde a punição e a justiça devem vigorar. 

Hoje, tanto as drogas lícitas como as ilícitas são fontes de poderio dos barões do tráfico. É uma indústria, em que os que realmente ganham não sofrem as conseqüências do vício e não são punidos pelos crimes que acontecem durante o ciclo que envolve todo o tráfico. 

A questão preponderante que gera preocupação, quando se trabalha o debate das drogas como um dos grandes problemas de saúde pública, é o emaranhado de entorpecentes com poder de destruição do ser humano, infinitamente mais poderosos que a maconha, o álcool ou o tabaco. O crack é uma questão de segurança publica, observando do ponto de vista da criminalidade, mas o seu poder de degradação do organismo é infinitamente maior. O resultado final sempre é a morte e, a partir do momento em que se experimenta a pedra, não se consegue mais sair. 

Ainda pior que o crack é o recém nascido Oxy, com poder entorpecente ainda maior. Tem, na sua formulação, ácido de bateria, matando o usuário em menos de um ano. 

Cada vez surgem drogas piores, seja na conjuntura da criminalidade, mas principalmente em danos à saúde. Como combater isso? Como punir os barões e salvar as vítimas que entram nesse mundo obscuro? Essas são as questões que permeiam as discussões políticas e econômicas quanto à legalização das drogas. Legalizar seria uma forma de controlar esse mercado, evitando mortes pela criminalidade e controlando o consumo? Questões que estão na pauta de debates e ainda precisam ser muito revistas pelo poder político e pela sociedade, como um todo. Legalizar é dar liberdade ao consumo e ao mesmo tempo é aumentar o número de usuários e a dependência química. Cada um decide o seu caminho, mas no final é toda a sociedade que paga pelo tratamento e reabilitação do usuário. 

Cada um curte a “vibe” que escolhe, mas todos pagam esse preço. 



quarta-feira, 8 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

O SISTEMA É FODA PARCEIRO







Segurança pública ultrapassou as barreiras do necessário e já passa a uma meta quase inalcançável 


     Tráfico de drogas, prostituição, marginalidade e a criminalidade como um todo. Essas são moléstias sociais que já caíram na banalidade e se tornaram comuns no cotidiano da sociedade. O debate sobre a violência é um dos mais comuns, seja em períodos eleitorais ou não. Ela sempre será um plano de metas lançadas, mas dificilmente alcançadas.
As problemáticas intrínsecas são inúmeras, soluções também, contudo as ações, geralmente são falhas. A raiz dos problemas, não estão sendo realmente percebidas e apontadas soluções para resolve-las.
Retratada em filmes, desenhos animados, telenovelas e na infinidade de produtos  televisionados que são despejados aos brasileiros a violência e os atos ilícitos são tratados como fatos normais do cotidiano. Assim os políticos, policiais corruptos, barrões do trafico e da prostituição, e toda a rede que articulada impõem essa realidade para os brasileiros, contudo são os menos punidos.
Tropa de Elite, tanto o primeiro como o segundo filme retratam em partes essa situação. O verdadeiro inimigo nem sempre é o favelado. A prostituta, nem sempre entra nessa vida por querer, existe uma rede poderosa por trás de tudo isso que explora inocentes e lucra em cima do vicio ou da necessidade. A violência é uma questão reproduzida por um sistema poderoso de exploração onde tubarões caçam lambaris.
É parceiro... O sistema é foda.

Passo Fundo não foge muito da realidade do longa tropa de elite. O bairro cidade universitária é um espaço onde a venda de drogas é explicita. Todos sabem onde e com quem adquirir os produtos, mas ao mesmo tempo fingem não saberem. Os demais bairros não fogem dessa realidade. O bairro São Luiz Gonzaga, por exemplo, vive uma espécie de toque de recolher. Nos relatos dos moradores, o mais comum de se ouvir é o preconceito que eles sofrem por morarem no bairro. Segundo eles, depois das 22h nenhuma empresa faz entregas até a localidade. O motivo: a presença do presídio e principalmente o estereotipo criado em cima dele, além da criminalidade presente no bairro. Esses são dois exemplos que se reproduzem nos demais bairros periféricos da cidade e contrastam com as mesmas moléstias existentes em qualquer cidade do Brasil.

Crianças freqüentando as escolas armados, agredindo pais e consumindo drogas no ambiente escolar. No que o mundo e as pessoas estão se transformando? A hostilidade e a violência de modo generalizado e assumem proporções cada vez mais amplas.
As lojas de conveniência, por exemplo, são é uma problemática que diz respeito não apenas ao sossego público, mas gira sob a venda de bebidas para menores de idade, consumo de drogas e abuso sexual. Pode parecer questionável, mas os casos de abuso e exploração sexual são freqüentes, mas passam na maioria dos casos sem destaque na imprensa e abafados pelo poder público. As vítimas, que em grande parte, sofreram o golpe do “boa noite cinderela”, não ganham o tratamento e assistência necessária, desde quando são socorridas pelos policiais, no momento do registro da ocorrência, onde grande parte dos casos são distorcidos até o atendimento na emergência hospitalar, onde a vitima é tratada como qualquer outra moléstia. Segundo, informações da delegacia da mulher a maioria dos casos de estupro não são punidos por problemas no atendimento a vitima desde sua chegada na delegacia até no hospitalar.
As mortes nesses ambientes também já foram manchetes nos jornais, o que explica isso? Não seriam espaços de lazer, mas passam a ser redimensionados a espaços de reprodução de atitudes que intensificam a violência como um todo.

É diante dessas e de diversas outras questões que cerceiam a segurança pública que o secretário de segurança de Passo Fundo Márcio Patussi, foi convidado para a coletiva de imprensa laboratório da disciplina de A reportagem para os acadêmicos do 5º e 7º nível de jornalismo da Universidade de Passo Fundo.
Márcio Patussi é advogado, professor universitário além de coordenar a secretaria de segurança do município.
Diante das questões abordadas acima, Patussi trouxe alguns dados das ações que a secretaria vem promovendo para tentar amenizar ou resolver essa moléstia social tão intensa na nossa cidade.

Segurança escolar
É inadmissível uma criança entrar armada na escola, ou até mesmo consumir drogas dentro desse ambiente. Os pais devem entender que a escola não é responsável por tudo, eles também possuem sua participação na educação dos seus filhos. Colocar mais que um vigilante em cada escola é uma prática difícil de ser alcançada, pois o número de guardas é pequeno, são poucas as instituições que possuem mais de um vigilante que passa por dificuldade para conter o fluxo de pessoas que transitam diariamente nesses espaços. Patussi afirma que para cobrir a demanda de vigilantes no município seriam necessários cerca de 60 guardas. O secretário ainda afirma que além disso envolve outros custos e a dificuldade para adquirir recursos para a viabilização dessas demandas não permitem que o município supra essas necessidades. Além disso, reforça que para resolver essa questão não é apenas o município e a secretaria de segurança que irão por fim na criminalidade que acontece nas escolas, mas o dialogo, entre pais, professores, estudantes e comunidade é fundamental para tentar compor um ambiente agradável e distante da hostilidade desenvolvida na vida escolar.
A escola municipal do bairro Santa Rita é um exemplo de uma instituição de ensino onde os pais podem ter tranqüilidade no período que seus filhos estão no ambiente escolar. Nessa escola, existe uma parceria com organizações e com a comunidade que desenvolvem esse dialogo é tronam o ambiente escolar tranqüilo e distante da criminalidade.

Soluções para a falta de contingente
Os postos móveis foram uma alternativa sugerida pela Uampaf diante da necessidade de policiamento em determinados locais, em determinados períodos mas que não havia viabilidade tanto de agentes como de estrutura física. Com isso os postos móveis estão se mostrando uma forma eficiente para controlar crimes e garantir a segurança da população.

Patrulhamento
A instalação de câmeras de segurança, em pontos estratégicos do centro da cidade, reduziu significativamente ações criminosas nesses espaços. Diante desse panorama estão previstas a instalação de mais 20 câmeras em áreas de conflito.

Operação sossego
A reclamação da perturbação da ordem publica pela presença de jovens em locais como as lojas de conveniência nas áreas centrais, resultaram em uma série de ações que busca inibir a presença do barulho acentuado nesses locais.  As táticas vão desde a fiscalização do volume do som dos carros até o estacionamento proibido em locais estratégicos a partir das 22h. Blitz e diversas ações contribuem para que a lei do silencio seja cumprida e o sossego prevaleça. Um projeto de lei foi aprovado a pouco mais de duas semanas na Câmara de vereadores de Passo Fundo onde proíbe que lojas de conveniência fiquem abertas após a meia-noite. Para garantir que a lei seja cumprida os agentes estarão fazendo o patrulhamento para garantir a execução do projeto.

Tráfico de drogas
Passo Fundo é a 9ª cidade no índice de criminalidade do Estado. Para resolver isso a partir do próximo ano, todos os órgãos de segurança publica do estado estarão engajadas em trabalhos com a finalidade da redução desse tipo de conflito. O trabalho com os jovens drogados também foi um ponto de destaque.  O município recebe verbas do PRONACI para combater a drogadição e trabalhar os jovens vitimas da dependência química.

Alternativas são tomadas pelo poder público, mas enquanto a segurança tenta resolver as dezenas de moléstias que proporcionam a Passo Fundo o destaque pela criminalidade, o Oxy vem tomando conta e sendo vendido como se fosse crack. Na semana passada um casal foi assaltado em frente uma câmera de segurança instalada na esquina da Rua Independencia com a Capitão Eleutério. Câmera que não estava funcionando. O casal foi feito refém, onde em uma atitude ousada os assaltantes ficaram dando voltas na cidade. O jovem foi preso no porta malas do carro, já sua companheira foi abusada sexualmente. Os criminosos foram presos no dia seguinte, reconhecidos através de uma tatuagem, mas isso aconteceu por que a policia realizou buscas o dia todo. Mas nem sempre é esse o fim das histórias de assaltos, estupros e mortes.
O sistema beneficia alguns, para demonstrar uma imagem, mas dezenas de milhares de outros vivem a dor da impunidade.


É parceiro... o sistema é FODA!