sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mulheres do campo: construindo igualdade, identidade e um novo projeto de sociedade


Mujeres del campo luchando por la soberania popular la justicia, la vida e la igualdad é sob esta perspectiva que vão ser guiados os debates da IV assembleia de mulheres da cloc, em quito, no equador. O encontro que acontece nos dias 08 a 16 de outubro, vai contar com a participação de organizações camponesas de todo continente.
Com o objetivo de desenvolver debates quanto ao processo de lutas e de políticas para as mulheres, o encontro também fará um resgate das campanhas já realizadas que debateram temas como soberania alimentar, sementes crioulas, desenvolvimento da vida camponesa e pelo fim da violência contra as mulheres, fazendo um panorama frente os avanços, êxitos e maneiras de impulsionar a construção da luta, os debates e as reflexões frente a esses temas, princípios que estão sempre sendo ameaçados pelo poder do capital em todos os países do continente e do planeta.
Tendo em vista o debate e o resgate do processo de desenvolvimento das campanhas, o capitalismo e o poder do capital serão temas que entrarão nos debates. Eles são chaves mestres que impulsionam as desigualdades sociais, a perda da identidade dos povos, dos bens culturais originários em prol do desenvolvimento e da aquisição do lucro de grandes grupos e corporações de paises desenvolvidos, que exploram a sociedade, a cultura, as riquezas naturais dos países latino-americanos e desestabilizam a organização da sociedade desses países. Assim, os debates trarão a busca de perspectivas para barrar o poder do imperialismo e buscar maneiras de impulsionar a luta e o enfrentamento ao poder do capital e assim preservar a cultura, a identidade para que cada país, cada cultura seja soberana e produza e desenvolva para a construção de sua própria autonomia.
As campanhas foram instrumentos que estão contribuindo no avanço dos debates e no enfrentamento das desigualdades existentes em cada país. O desenvolvimento da preservação e, o resgate das sementes originarias de cada região, foram impulsionados e debatidos com mais ênfase, quando a campanha da soberania alimentar pautou mais enfaticamente dentro das organizações camponesas. Além disso, o debate o enfrentamento a transgênia, as modificações genéticas e a inserção de larga escala de monoculturas, em sua essência exóticas passaram a ser discutidos não apenas dentro das organizações, mas abriu um amplo leque de debates fora delas, para toda a sociedade.  Isso mostra a importância e o significado que a campanha desempenha nos debates e nas lutas dentro de cada organização camponesa e para a população.
Da mesma forma, as campanhas pelo fim da violência contra as mulheres e, todas as, outras proporcionaram um debate mais aprofundado frente a estas questões e, assim, impulsionaram o desenvolvimento das lutas e o enfrentamento as imposições do poder imperial. Desse modo, o resgate do processo de desenvolvimento das campanhas culminará, também, em novas alternativas de enfrentamento, debates e lutas para intensificar o desenvolvimento das reflexões destas questões.
Do mesmo modo que o capitalismo toma espaço importante nos debates, o feminismo não podia ficar de fora. Assim como, resistência e a luta das mulheres, nas diversas organizações camponesas de todo continente latino-americano. A discriminação e a desigualdade de gênero encontrada em todos os espaços do planeta é uma questão que mesmo com a evolução dos tempos, das discussões e das reflexões, as consciências de homens e até mesmo de mulheres não foram alteradas. Concepções impostas historicamente pelo poder patriarcal submetem as mulheres como um ser inferiorizado. Desse modo, a exploração, a violência e a opressão são problemas encontrados em inúmeras facetas da sociedade, sem distinção de classe social, etnia, posicionamento político e cultural.
O feminismo é o mecanismo capaz de concretizar e dar bases para o fortalecimento do socialismo. Justiça, igualdade, são princípios inseridos dentro dos pilares do feminismo e, assim, são bases fundamentais para sustentar os princípios socialistas.
Por isso, a programação da IV assembléia trabalhará painéis que trarão o debate acerca do feminismo na construção do socialismo e, sobre a luta feminista para a construção do socialismo.  Trazer reflexões e a compreensão do significado do termo feminismo, suas diferentes configurações, as lutas no decorrer da história e a difusão da discussão serão bases centrais, que ligam-se a diversos outros temas que serão trabalhados. O debate quanto a luta feminista é a base fundamental da luta das mulheres, nas mais diversas organizações sociais, de todo continente. A luta para sair da opressão, do anonimato cultural, político, social e econômico, são enfrentamentos que necessitam da discussão entre as organizações camponesas, para que assim, as forças sejam unidas e a luta seja fortalecida.
Novas relações sociais, com a natureza e com a vida. Respeito, dignidade, liberdade, justiça e direitos assegurados. Esses são princípios que intrinsecamente, estarão presentes nos painéis e nos debates dos grupos de trabalho, que serão formados para propor o desenvolvimento das reflexões.
A IV assembleia não será apenas um espaço de debates, mas simbolizará mais um passo no processo de luta das mulheres da América Latina. São passos que devagar foram se unindo a outros históricos e, agora, assumem em todos os países uma luta coletiva em prol de um só objetivo: a libertação e a emancipação da sociedade de quem explora e suga, tudo aquilo que é batalhado para conquistar. Cerca de 70% dos pobres do mundo são mulheres, vendo isso vemos a necessidade e a importância que as organizações de mulheres camponesas exercem no processo de organização e formação das mulheres, fazendo com que elas construam uma caminhada de lutas voltadas ao enfrentamento e a um posicionamento crítico e revolucionário e, assim, não sejam mais massas de manobras que se submetem às imposições mercadológicas e imperialistas.
 A assembleia é um espaço que promove a união e a confraternização entre as organizações e mostra que é através da organização, formação e luta das mulheres e de toda a sociedade que se alcançará à construção de políticas e de direitos, que respeitem a diversidade da vida e dos valores que são necessários para que a igualdade, a justiça e a dignidade do ser humano sejam preservadas nessa sociedade, onde a corrida pelo poder e pelo capital agem inescrupulosamente sobre a sociedade.
Lutar, resistir, preservar e construir um projeto que traga soberania alimentar, preservação da natureza, das sementes, da vida e que traga respeito e o fim a violência contra as mulheres e a qualquer outra forma de opressão, seja de classe, gênero, cultural são bandeiras levantadas por mulheres de todos os cantos do continente que vão se reunir em Quito para celebrar a vida e o poder de construir uma sociedade onde todos sejam sujeitos e agentes de uma concepção igualitária, soberana e popular.

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