quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sustentabilidade ou eco capitalismo?


A onda verde! Meio ambiente nunca esteve tão em alta nas pautas midiáticas, eleitorais e em todos os segmentos de relevância na sociedade, mas principalmente em meio às organizações.
O grande problema é que a sustentabilidade já se tornou modismo nesses âmbitos de discussão, é a agenda setting do momento e permanecerá sendo por um longo período.
O sistema capitalista neoliberalista prega a aquisição do lucro, o consumo desenfreado e consequentemente vai trazer a exploração dos recursos naturais  e a produção em larga escala de resíduos físicos. Dentro dessa lógica vem a discussão: como conciliar desenvolvimento econômico, mas manter praticas sustentáveis? Como promover crescimento  sem prejudicar o meio ambiente. Dentro deste viés nasce a discussão de se criar práticas sustentáveis de desenvolvimento. A partir disso a sustentabilidade torna-se pauta nos discursos organizacionais, contudo é principalmente nesse segmento que esta questão torna-se apenas uma discussão teórica e não prática, o que se desenvolve ali é um discurso ecocapitalista.
A grande preocupação institucional é a sua imagem, a sustentabilidade está sendo um prato cheio para as organizações realizarem programas que alavanquem o quesito de responsabilidade ambiental. Várias práticas adotadas como a revitalização de praças, a criação de programas de recuperação de áreas degradadas, reciclagem ou qualquer modelo que possa alavancar a imagem empresarial, mas também são ferramentas utilizadas para ocultar praticas danosas ao meio físico e social. Ou seja, hoje no meio organizacional falar em sustentabilidade é o mesmo que falar em ecocapitalismo, ou seja, a questão ambiental aplicada apenas no discurso teórico e não na prática!
Quer algo mais destruidor do que a implantação de árvores exóticas na Amazônia ou em qualquer outro espaço? E o tão aclamado “boi verde” que promove a derrubada de árvores, compactam o solo e proporcionam destruição no meio natural onde são inseridos. O que falar da utilização de agrotóxicos, do plantio de espécies geneticamente modificadas, dos resíduos químicos jogados sem tratamento nos afluentes e mananciais? Todas práticas realizadas por grupos empresariais, que são sempre tapadas com a peneira, ocultadas com programinhas que tentam sobressair a imagem organizacional e ocultar as verdades intrínsecas exercidas pelas entidades.
Somos filhos de uma pátria onde a riqueza natural esbanja recursos riquíssimos e variados! Poderíamos garantir soberania sustentável, mas como Washington Novaes* afirma o caminho está beirando o caos. Se não passarmos a adquirir práticas efetivamente sustentáveis a tendência do cenário climático é piorar cada vez mais. Precisamos adquirir novas legislações que realmente fiscalizem, criar mecanismos educacionais e definir novas matrizes energéticas.
                Usar mercadologicamente a sustentabilidade é simplesmente acabar com o principio de preservação. É um estupro do termo e da necessidade de implantar efetivamente praticas sustentáveis que recuperem aquilo que foi explorado.
A preocupação de alguns setores com os rumos que a destruição ambiental estava levando o planeta fez com que o termo sustentabilidade fosse usurpado e comercializado. No mundo do consumo tudo passa a ser caracterizado como um produto, independentemente do segmento que esteja voltado, ou seja,  a sociedade do consumo criou mercado e produtos em cima de todas as praticas,  inclusive em cima das preocupações.
A sociedade caminha para o caos! As preocupações estão sendo estupradas mercadologicamente e o mundo pede socorro. O que queremos? Construir um mundo melhor ou sugar e alimentar a lógica individualista de consumo?
Um mundo melhor é possível.